Eu concordo com a premissa do seu post: estamos em guerra, derrotar o projeto petista é a causa máxima, justamente porque é ela que condena a conclusão. O seu erro de raciocínio não está em levar a guerra a sério; está em confundir a guerra com uma única batalha, e a força de hoje com a posição defensável de amanhã. Estratégia não se faz com a fotografia do presente, faz-se com a sustentabilidade do terreno. E é aí que a candidatura de Flávio rui.
As pesquisas que o coroam líder do campo medem a fotografia momentânea, não a solidez da trincheira. E o próprio episódio Vorcaro já provou, com dado mensurável, que a trincheira é indefensável. O áudio em que o senador negocia R$ 134 milhões diretamente com Daniel Vorcaro, o autor da maior fraude financeira do país, para bancar o filme sobre o pai não é boato: o próprio Flávio reconheceu a veracidade da gravação, depois de ter negado conhecer Vorcaro. O efeito eleitoral foi imediato: entre o levantamento de 13 de maio, antes do caso vir à tona, e o de 10 de junho, parte do eleitorado de direita migrou para outros nomes, e isso bastou para Lula recuperar a dianteira que havia perdido. Repare na lógica: ainda não há condenação, não há sequer CPI concluída e mesmo assim a vulnerabilidade já moveu o placar. Um candidato cujo flanco move pesquisa antes de qualquer veredito é, por definição, um passivo estratégico.
E aqui o ponto levantado é o decisivo: independe de haver crime. A guerra política se trava no plano da percepção, não no do trânsito em julgado. A esquerda não precisa de sentença; precisa de um fio para puxar e Flávio amarrou o nó com as próprias mãos. Pior: o fio que ela puxa é exatamente a arma que sempre foi nossa. O capital que sepultou o PT entre 2014 e 2018 foi a bandeira anticorrupção, o "siga o dinheiro". Um candidato fundido a Vorcaro não perde uma posição; entrega a própria artilharia. A frase que enterrou o petismo passa a apontar para a direita e não por acaso é com ela, "siga o dinheiro", que o campo lulista já enquadra o caso. Quem escolhe esse nome não perde uma batalha: rende, para todas as batalhas futuras, o seu melhor canhão.
Some-se a isso a contaminação pelo centrão, que é o segundo flanco aberto. A força do fenômeno de 2018 foi a postura antissistêmica: o diferencial que mobilizava o antipetista era não ser a velha política. Flávio dissolve esse diferencial a cada gesto: a PEC do fim da reeleição apresentada explicitamente como aceno a Tarcísio e ao centrão, o apoio à PEC da Blindagem, para proteger parlamentares sob investigação, da qual fugiu da votação ao ver que perderia, e a ficha de acomodações fisiológicas que se lhe atribui. Cada um desses movimentos converte o sobrenome insurgente em "mais do mesmo", e "mais do mesmo" é precisamente o que desmobiliza a base que precisa estar incandescente para vencer Lula. O telhado de vidro completa o quadro: rachadinha na Alerj, a loja de chocolates, a mansão paga em dinheiro vivo — munição estocada, à espera do segundo turno.
Note que os próprios números desmentem o "só o Flávio vence". 43% acham que um candidato de oposição fora da família teria mais chance de derrotar Lula, contra apenas 34% que apostam num Bolsonaro; e 46% temem mais a volta da família ao poder do que a continuidade de Lula. A tese da "única opção viável" não é a aposta mais forte, é a mais frágil, lida nos dados.
Por isso a causa máxima: tornar improvável o retorno do PT por uma geração, exige um nome não contaminado pela política atual, e sobretudo pelo centrão: alguém capaz de empunhar a bandeira anticorrupção sem que ela exploda na própria mão.
E aqui devolvo a arte da guerra que você invocou. O post diz "na guerra vale tudo". Sun Tzu ensina o oposto: a guerra é o terreno da vida e da morte, o caminho da sobrevivência ou da ruína, a ser estudado com o máximo cuidado, "vale tudo" é a língua do desespero, não da estratégia. Ele ensina ainda que o exército vitorioso vence primeiro e só então trava o combate, ao passo que o derrotado trava o combate primeiro e depois procura a vitória. Cerrar fileiras atrás de um candidato já contaminado é ir à batalha antes de ter vencido. E ensina, por fim, a conhecer o inimigo e a si mesmo e conhecer-se é enxergar o próprio telhado de vidro, que o círculo de Flávio finge não ver.
Flávio pode vencer uma batalha, talvez até outubro, num cenário favorável. Mas gastará o capital moral do campo, neutralizará a bandeira anticorrupção, soldará a direita ao centrão e presenteará a esquerda com a narrativa pronta para 2030 e o ciclo seguinte. É o Austerlitz que abre a estrada da Beresina: a vitória que prepara a debandada. O objetivo supremo não é vencer Lula em outubro; é tornar o retorno do petismo e da esquerda improvável por uma geração. Um nome que ganha a batalha hipotecando esse objetivo não serve à guerra, perde-a devagar. A direita que quer continuar existindo não precisa do nome que lidera as pesquisas do seu próprio campo hoje; precisa do nome que o inimigo não conseguirá usar contra ela amanhã.
Eu só acho que a direita não tem o direito, neste ano, de querer enfrentar a própria direita. Se, em 2030, a direita quiser se enfrentar, aí é outro assunto. Mas, neste ano, a direita é obrigada a vencer o Lula!
E o único candidato capaz, pelo que se vê dos números, de vencer o Lula é o Flávio. Por isso, toda a direita deveria se unir em torno da campanha do Flávio. Todos os que se dizem de direita ou de centro-direita deveriam apoiar o líder das pesquisas nesse campo, que é Flávio Bolsonaro.
Se, em 2030, quiserem enfrentar Flávio Bolsonaro em uma eventual reeleição, aí é outro assunto. Mas, para que um dia se vislumbre uma disputa de direita contra direita, primeiro precisamos vencer o PT neste ano.
É a arte da guerra. Nós estamos em guerra. E, em uma guerra, é preciso utilizar a melhor estratégia. É por isso, também, que tenho defendido a candidatura de Flávio Bolsonaro. Na minha visão, ele é o único nome da direita capaz de vencer o Lula.
Na guerra vale tudo pra vencer o inimigo! Lula é o imoral que deve ser expurgado do Brasil!
Não existe nada mais importante do que derrotar o PT. Portanto, se a direita quer continuar existindo, primeiro precisamos vencer o PT neste ano.
É simples assim!