Não se fala o suficiente sobre o custo pessoal de exercer advocacia combativa em contextos de alta tensão institucional.
O advogado que defende jornalistas perseguidos judicialmente, comunicadores sob estratégias de lawfare ou acusados em casos de repercussão política não enfrenta apenas a complexidade técnica do processo. Enfrenta pressão reputacional, tentativas de deslegitimação pública, muitas vezes ameaças veladas e, em alguns casos, a instrumentalização do próprio sistema disciplinar como ferramenta de inimidação.
O silenciamento de advogados é uma das formas mais eficazes e menos debatidas de restrição ao acesso à justiça. Quando o profissional que poderia fazer a defesa técnica se retira por pressão, por medo ou por inviabilidade econômica do mandato, o que se perde não é apenas aquela defesa. Perde-se o sinal de que há limites ao poder de perseguir.
A prerrogativa do advogado não é um privilégio corporativo. É uma garantia estrutural do sistema. Ela existe porque sem advogado independente, livre e tecnicamente habilitado, o processo é uma encenação.
Proteger as prerrogativas da advocacia é proteger o próprio conceito de defesa. E quem hoje nega essa importância, amanhã pode ser o próximo a precisar dela.