Utilizamos aqui no Brasil a palavra “panaca” para designarmos pessoas ingênuas, bobas, etc, mas você sabia que essa mesma palavra foi utilizada pelos Incas? Mas não com o mesmo significado! 😅
Panaca foi um termo usado na organização social, política e ritual incaica, principalmente em Cusco, para designar os ayllus reais, ou grupos de parentesco, compostos pelos descendentes de um falecido Sapa Inca, com a exceção de seu sucessor.
A formação de uma panaca, que funcionava como uma espécie de corporação que mantinha e administrava os bens de um governante morto, baseava-se em uma prática de sucessão chamada “herança dividida”. Nesta prática, quando um rei morria, ele era sucedido pelo mais capaz entre seus filhos por uma de suas várias esposas. A nomeação de um sucessor era uma questão intensamente politizada, com disputas entre os parentes do Inca, esposas e seus filhos.
O sucessor do governante assumia o trono, mas não herdava a propriedade ou riqueza adquirida por ele durante sua vida; em vez disso, a propriedade do rei era herdada por outro de seus filhos junto com seus descendentes.
Ou seja, um filho herdava a realeza; outro filho tornava-se o chefe de um corpo semelhante a uma corporação que herdava a riqueza do rei. Em resumo, os dois recursos que compunham a herança de um Sapa Inca eram o poder real, autoridade e a presunção de descendência divina do Sol, e os recursos e riquezas, que eram divididos entre dois de seus descendentes após sua morte.
ALT Celebração de ritual funerário; National Geographic; Jon Foster.