TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMAS // OPERAÇÃO ENCABEÇADA PELO BRASIL
Está em curso agora operação policial que é resultado da maior investigação sobre o tráfico internacional de armas já realizada no Brasil.
As apurações desvendaram uma complexa e multibilionária engrenagem criminosa. Ela começava em fabricantes europeus, passava por um grande importador no Paraguai e por meio de dois grandes grupos de negociadores intermediários, também na fronteira paraguaia, carregamentos e mais carregamentos de armas de grosso calibre ingressaram em território nacional. E foram entregues aos chefes das maiores facções criminosas do Brasil.
A origem das investigações foi uma apreensão de pistolas e munição no interior da Bahia, em 2020. Mesmo com as numerações de série raspadas, para dificultar o rastreio, as armas foram submetidas à perícia da PF.
Por meio de exames sofisticados, as numerações foram recuperadas.
A partir daí, a PF da Bahia fez todo caminho inverso, identificando fabricante, importador e a logística do tráfico internacional de armas até chegar ao crime organizado brasileiro.
Ao longo de 3 anos de investigações, a PF desvendou um poderoso esquema de tráfico de armas que passava por uma empresa paraguaia chamada IAS.
O dono da empresa, um argentino residente no Paraguai, comprava milhares de pistolas, fuzis, rifles, metralhadoras e munições de vários fabricantes europeus (Croácia, Turquia, República Tcheca, Eslovênia). E por meio de um esquema que envolvia doleiros e empresas de fachada no Paraguai e em Miami, EUA, a empresa IAS revendia os arsenais para as maiores facções brasileiras, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo.
Ainda de acordo com as investigações, o esquema envolvia tráfico de influência e corrupção na cúpula da DIMABEL, órgão militar paraguaio responsável pelo controle, fiscalização e liberação do uso de armas.
Em seguida, segundo a PF, o traficante de armas, dono da IAS, forjava vendas fictícias e entregava o armamento com numeração de série raspada para os intermediários e responsáveis pela entrega dos arsenais para as facções criminosas brasileiras.
A operação é conduzida pela Polícia Federal da Bahia. A justiça federal expediu 25 mandados de prisão preventiva, 06 ordens prisão temporária e 53 mandados de busca e apreensão em três países: Brasil, Paraguai e Estados Unidos.
Por meio de cooperação policial internacional, as polícias destes países participam do cumprimento das ordens judiciais expedidas pela justiça federal da Bahia.
A justiça, por sua vez, determina que todos os alvos de prisão fora do país sejam incluídos na difusão vermelha da Interpol. Caso presos, a justiça brasileira pede que sejam extraditados para responder às investigações criminais aqui.
Estima-se que -desde o início das apurações da PF- a organização criminosa, comandada pela empresa IAS, de Diego Hernan Dirísio, vendeu cerca de 43.000 armas ilegalmente para facções do tráfico de drogas, no Brasil (principalmente CV Rio e PCC SP).
Um negócio de cerca de R$ 1,2 bilhões.
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