Para entender como a Copa do Mundo foi parar nos EUA, é preciso voltar a 2010, quando foram escolhidas as sedes de 2018 e 2022. Rússia e EUA queriam, cada uma, um Mundial com sua marca.
A candidatura do Catar era meio folclórica: país com muitos recursos naturais, mas desértico, pequeno e sem qualquer ligação com futebol - menos até que os EUA.
Quando o presidente da FIFA, Sepp Blatter, abriu os envelopes e revelou que a Rússia conseguira sua Copa em 2018, mas os EUA não teriam a de 2022 porque ela ia pro Oriente Médio, ele acionou uma reação em cadeia que levaria à sua própria queda.
Tio Sam nunca engoliu aquela derrota. Os imensos protestos no Brasil contra a Copa de 2014 ganharam repercussão internacional, inclusive por lá, e motivaram o FBI a agir contra a casta do futebol mundial. Começava o FIFAgate.
Todo mundo sabia que havia esquemas de corrupção na FIFA e, como muitos deles passavam pelo sistema bancário estadunidense, a polícia dos EUA justificou sua ação. Era uma retaliação, claro, mas não sem motivo.
Cartolas históricos do mundo todo caíram - o maior deles o próprio Blatter, que comandava a FIFA desde 1998. Das sombras, saiu Gianni Infantino.
Ele provou ter grande habilidade política ao entender que precisava neutralizar as autoridades estadunidenses. Como? Dando a elas o que queriam, uma Copa.
Foi assim que a sede de 2026 foi escolhida, com Canadá e México como convidados de luxo pra uma festa estadunidense.
Infantino mostrou uma capacidade de costurar acordos para que a FIFA se mantenha como ela sempre foi (e isso não é algo bom), ao mesmo tempo em que transmite ares de modernidade. Tornou-se amigo pessoal de Donald Trump, rompendo com a neutralidade e apoiando-o abertamente nas eleições de 2024.
Em 2025, nos 10 anos do escândalo do FIFAgate, membros da comunidade do futebol publicaram uma carta aberta em que diziam que, hoje, o futebol é mais mal gerido e corrupto do que era em 2015.
Infantino não mudou nada, apenas trouxe os insatisfeitos estadunidenses pro seu lado. Cartolas foram absolvidos e o Departamento de Justiça de Trump encerrou processos, dizendo que investigar subornos "não era mais prioridade”.
O preço disso? Um prêmio pro Trump e uma Copa nos EUA.