> vejo meu amigo Jaime na cantina
> ele gastou a mesada toda cartinhas de Yu-Gi-Oh e está com fome
> "Davi, me empresta 5 reais pra eu comprar um lanche? Te pago amanhã!"
> "Shalom, Jaime. Amanhã são 15 reais. E me dê seu relógio orient como garantia de pagamento"
> Jaime aceita. A fome não espera.
> repito o processo com metade da sala, operando um microcrédito agressivo
> lucro líquido de 150% em uma semana
> e agora, onde eu reinvisto esse dinheiro?
> enquanto lia a sagrada Torá veio um insight genial
> pego todo o capital acumulado e vou a banquinha do Seu Jorge e na do Seu Elias
> compro todas as bolas de gude da região
> estoque total: 1.100 unidades. Domínio absoluto da commodity.
> Segunda-feira no pátio no recreio os rapazes querem disputar
> Poucos tem bolinha de gude. O jogo parou.
> O pátio está um tédio absoluto. A economia de lazer colapsou.
> Logo apareço exibindo bolas de gude a venda.
> Cirilo chega correndo, suado, com uma nota de 20 reais que ele pegou emprestado comigo semana passada
> "Davi! Me vende umas 5 bolas de gude? Os meninos não querem jogar comigo porque estou de mãos vazias!"
> Ajusto meu quipá com a solenidade de um herdeiro dos Rothschild
> Shalom, Cirilo.
> Vendo a bolinha de 50 centavos para o Cirilo por 10 reais.
> Margem de lucro: 1.900%.
> Terça-feira: plano sucede em 100%, não sei o que fazer com tanto dinheiro que estou ganhando
> Metade da sala tem dívidas impagáveis comigo, a outra metade me deve favores.
> Sento no banco do pátio no recreio, fecho meu livro de orações e observo o império que está se formando.
> Dominei o crédito, dominei a oferta.
> A sabedoria judaica é inexorável contra os goyim.