O PAPEL DO JORNALISTA
Nesse fim de semana de CCXP, o querido
@nogabeverso nos representou na cobertura do evento e em entrevistas exclusivas. Uma dessas entrevistas viralizou ontem em várias páginas e portais do Brasil e de fora.
A Sara Pichelli, artista co-criadora do Miles Morales, bateu um papo super descontraído com o Gabe sobre tópicos como o processo de criação do Miles, os ataques que o personagem sofreu, a herança romani da Feiticeira Escarlate e seus projetos futuros na Marvel. Postamos todos esses trechos aqui no perfil. Quem quiser assistir à entrevista completa, que está gravada em vídeo, também pode conferir no tweet abaixo.
Porém, o que viralizou no meio disso tudo foi o trecho em que o Gabe questiona a Sara se ela recebe alguma compensação por ter criado um personagem tão popular, importante e que já foi adaptado em diversas mídias milionárias, como os jogos da Sony e os filmes do Aranhaverso. A resposta da Sara foi negativa. Ela brincou: "Quem dera! [...] Eu estaria bilionária. [...] Não ganho nada. E essa é a parte mais triste da minha vida."
Publicamos esse trecho completo aqui com o título "🚨 (A FALTA DE) DIREITOS DOS CRIADORES!", assim como fizemos com as outras partes da conversa.
Embora o tema "direitos dos criadores" vira e mexe cause rebuliço nesta rede, não esperávamos a repercussão que teve, com veículos grandes como o
@bleedingcool publicando a matéria.
Sabemos que, quando uma entrevista é transcrita, entonações e contextos podem se perder. Faz sentido que frases como "essa é a parte mais triste da minha vida" soem muito mais dramáticas no texto do que foram naquele momento, entre risadas.
É importante dizer que o Jamesons, de forma alguma, tentou distorcer essa fala. Vocês não encontrarão qualquer post em que usamos essa frase fora de contexto ou da entrevista completa.
Nosso portal possui duas vertentes claras. Somos um veículo formado por jornalistas profissionais e estávamos na CCXP credenciados como imprensa. Mas somos, também, uma página política. Acreditamos que quadrinhos são ferramentas sociais, para muito além do entretenimento.
E é exatamente aqui que entra o título deste texto. O papel do jornalismo não é apenas o de entretenimento ou de celebrar obras. É também o de fazer as perguntas desconfortáveis. Seria mais cômodo manter a conversa apenas no campo da admiração, mas questionar as estruturas da indústria, especialmente quando envolvem cifras bilionárias e criadores sem royalties, é nossa obrigação como imprensa.
Se a resposta a uma pergunta legítima traz à tona uma realidade negativa ou polêmica, isso não é sensacionalismo; é a exposição de um fato que precisa ser discutido.
Por isso, mesmo que nosso objetivo original fosse apenas reportar o papo descontraído com a criadora, fizemos também um apelo sincero para que os artistas sejam reconhecidos (e reconhecido$) por suas obras. Afinal, empresas bilionárias lucram com o trabalho deles. Permanecemos com essa opinião e essa luta.
Por fim, queremos agradecer novamente à Sara por ter concedido a entrevista, que foi divertida e elucidativa. Vocês podem conferi-la a seguir, sem qualquer "distorção".