É problemático: nosso povo se tornou tão incapaz de distinguir o certo do errado que uma tentativa das Forças Armadas de salvar o Brasil seria mal vista. Isso acontece porque não somos patriotas e eleitores, somos uma torcida organizada.
O BRASIL EM ROTA DE COLISÃO: ENTRE O POPULISMO E A RECONSTRUÇÃO DA REPÚBLICA
Em uma análise ainda que rápida e superficial, é possível constatar que o Brasil vive uma escalada de tensão alimentada por forças que apostam deliberadamente no caos como estratégia de conquista do poder.
Bolsonarismo e lulismo, cada qual coerente com seus próprios interesses, apresentam-se como antídotos um do outro, quando na verdade são faces opostas da mesma moeda populista.
Criar ou inflamar crises para depois surgir como solução é uma tática antiga dos demagogos. Para compreender isso, basta observar a participação de Lula e da família Bolsonaro no estúpido “tarifaço” imposto ao Brasil por Donald Trump — um episódio emblemático de oportunismo político em detrimento do interesse nacional.
Num cenário polarizado entre forças igualmente tóxicas, marcadas pelo culto à personalidade e pelo desprezo às instituições — uma eventual ruptura institucional pode exigir a intervenção – legal e/ou legítima – das Forças Armadas para dar suporte ou promover a restauração da ordem e da normalidade.
No entanto, esse caminho é turvo, complexo e complicado, porque o próprio Supremo Tribunal Federal, ao extrapolar reiteradamente seus limites constitucionais, fragilizou o conceito de legalidade. Ao assumir funções típicas do Legislativo e envolver-se abertamente em disputas partidárias, o STF deixou de ser o guardião imparcial da Constituição para tornar-se um ator político — o que compromete gravemente a confiança nas instituições.
Se a crise chegar ao "ponto de intervenção", os militares enfrentarão um desafio quase impossível: restaurar a ordem constitucional num ambiente em que nenhuma das instituições se comporta de maneira constitucional. O Congresso — hoje omisso, submisso ou cooptado — precisará recuperar sua centralidade como poder representativo e, neste caso, moderador. A Justiça terá que reencontrar seus próprios limites, e a sociedade civil, por sua vez, precisará romper com as bolhas de fanatismo messiânico para que um novo consenso político possa ser construído — um consenso ético, responsável e verdadeiramente republicano, no qual nem Lula, nem Bolsonaro, tampouco a anarquia, sejam opções.
A escolha diante dos brasileiros hoje é clara: ou deixamos o País seguir afundando no ciclo vicioso do populismo e do autoritarismo, ou exigimos dos nossos representantes uma atitude responsável e honesta que construa um novo modelo republicano, baseado na legalidade, na coragem, na honestidade, no civismo e no verdadeiro patriotismo.