Joined March 2009
9,791 Photos and videos
Blarghh retweeted
O texto do Ricardo é interessante porque disseca bem um traço das classes médias portuguesas: a falsificação da memória. Tal como no fim dos anos 80 todos tinham “quintas” no Ribatejo (o que fazia as delícias do Herman), hoje vão a “tascas” que lhes recordam uma avó imaginária.
ao ver as "tascas" onde a malta anda a jantar nos Santos recordei-me disto. poucas coisas me alegram tanto como aquele tipo de estabelecimento que comprou um serviço de barro com o próprio nome gravado, meteu pimentos padrón e huevos rotos a fazer de infância nacional e convenceu a pobre criatura que lê a NIT, guarda restaurantes no Instagram e diz "temos de ir" a tudo o que tenha azulejo, luz quente e uma cadeira desconfortável com pretensões de autenticidade de que, por trazer o vinho num jarro em vez de numa garrafa com rótulo, aquilo é claramente um tasco, do mais típico que existe. frequentado pelo grupo de amigas da Marta, três Ineses e uma Joana dos RH , todas em simulacro de tradição entre dois stories, uma vela torta e o conceito giríssimo de comer às porções, "porque isto é comida de avô", quando a merda mais típica que a velha lhe punha à frente era esparguete com frang e um vianetta do Dia. a avó, coitada, não lhe deixou uma cozinha: deixou-lhe uma deixou-lhe uma varinha Moulinex “que ainda está aí prás curvas”, duas travessas da Vista Alegre que só tinham uso no Natal, uma gaveta cheia de sacos, uma receita de arroz de frango escrita sem medidas e a memória perfeitamente honesta de almoços despachados à pressa por mulheres cansadas, com loiça no lava-loiça, a televisão ligada noutra divisão e qualquer coisa a descongelar tarde demais. é gentinha que chama "sem pretensões" a um sítio onde o copo foi escolhido por alguém saído dum workshop de branding e que ao terceiro jarro já fala da infância portuguesa como se tivesse passado os verões numa aldeia do interior, quando a experiência rural mais intensa que teve foi uma despedida de solteira em Évora, com alojamento local, brunch no dia seguinte e uma fotografia muito séria encostada a uma parede caiada, esse grande baptismo telúrico das almas que nunca apanharam um autocarro para a terra dos avós. e é essa a parte bonita: nem falsificaram uma tradição, mas sim falsificaram a nostalgia privada da clientela, que é onde está o dinheiro a sério. já nem a tasca nos chega sem direcção artística. uma coisa é servir uma sandes de rojão chamada Pork Affair ou o crl. outra, bem mais grave, é convencer uma pirralha criada entre forno eléctrico, iogurtes líquidos, douradinhos com arroz de ervilhas e um pai a adormecer no sofá de comando na mão a ver o Highlander ou a Marés Vivas de que dorme nela uma memória ancestral de balcão, tremoço e toalha de papel, memória essa que passou trinta anos adormecida debaixo de um edredão da Zara Home até ser acordada por um empregado de bigode estudado e três petiscos castelhanos. o que ali se serve não é só comida. é a possibilidade de ter tido outra origem, mas sem a maçada de a ter vivido. a Marta quer a tasca, mas não quer a porta da casa de banho que não fecha, o calendário da selecção desbotado eo garrafão aberto desde terça nem o senhor agostinho que meio torto começa a discorrer da ex-mulher como se estivesse numa comissão parlamentar de inquérito. quer o empregado castiço, mas não quer que ele se esqueça do pedido porque está a ver se o Leixões marcou, nem o quer a perguntar "é só isso?" com o merecido desprezo de quem percebeu, em três segundos, a indigência espiritual da mesa. quer esse mesmo empregado a tratá-la com uma familiaridade suficientemente rude para parecer verdadeira mas não tão rude que obrigue a uma reclamação no Google. quer comida de avô, mas não quer o avô ali, vivo, a mastigar de boca aberta, a chamar "chefe" ao empregado, a tossir para o guardanapo, a perguntar quanto custou aquilo tudo, a explicar que ovos com batatas sempre houve e ninguém fazia disso uma civilização, e a contar pela décima terceira vez a história de quando foi a Chaves buscar umas peças para o carro e comeu uma vitela que, essa sim, era uma coisa séria. quer a aldeia, mas não quer a tia que pergunta pelo namorado. quer o tasco urbano, mas sem três maganos de colete reflector a ocuparem metade do balcão com a solenidade de quem reconstruiu o país e agora exige cerveja com Favaíto por serviços prestados à nação. quer, no fundo, uma autenticidade disponível nos momentos exactos em que lhe convém, com a dose certa de gordura, ruído e desconforto, mas antes do ponto em que a experiência deixa de ser charmosa e passa a obrigá-la a lavar o casaco. a Marta, que nunca teve terra mas tem imensa vontade de a ter tido quer a pobreza de bistrô, miséria em doses para partilhar. é como aquelas pessoas que dizem que adoravam viver numa casa antiga até descobrirem que as casas antigas têm humidade, canalização vingativa e uma arrecadação que é um pequeno museu da inutilidade doméstica, onde toda a família guarda coisas que "um dia podem dar jeito", incluindo cabos de Nokia, recibos de 1987, chaves de portas que já não existem e uma tampa de tupperware que já não corresponde a nenhum recipiente vivo. a Marta quer raízes. mas raízes lavadas, com reserva às nove no TheFork, conta dividida por MB Way e sem uma tia de casaco polar a aparecer à mesa para perguntar, diante das três Ineses, se ela afinal ainda anda com aquele rapaz da barba do chapéu.
6
1
44
3,326
Blarghh retweeted
Çelik kapıyı oyuncak açar gibi açan çocuk.
42
57
1,092
1,880,493
Blarghh retweeted
Just say No. Again. who wants to do this all over again? blechhh.
1
10
30
1,611
Os combustíveis já desceram de preço? E o imposto, vai aumentar?
1
4
144
Blarghh retweeted
Ora digam lá, se o Luís não está a trabalhar e bem.

1
1
93
Hoje, no Mercadona, cruzei-me com uma daquelas mulheres que andam sempre de cabelo tapado, só a cara de fora. Estranhei andar sozinha ali. Depois, vi-a na caixa, ainda sozinha. Não sei de que ordem seria aquela freira, mas parece ser uma ordem que lhes dá muita autonomia.
2
10
1,025
Faltam 2 horas para terminar a corrida das 24 horas de Le Mans.
Jun 14
2
11
250
Blarghh retweeted
You can't tell me that girl in pink isn't an actual Barbie
933
7,563
148,339
10,874,878
Blarghh retweeted
Os donos da Livraria Lello (Grupo Lionesa) destruíram ilegalmente o interior da pastelaria Serrana na rua do Loureiro! A Lionesa comprou 8 edifícios naquela zona!! Para criar carroceis para os turistas neste parque de diversões chamado PortoLândia... Harre Potter que é demais.
9
25
110
4,600
"Amanhã levanto cedo para fazer uma brande caminhada pela fresca, pois está muito calor." Hoje, toca a saltar da cama. Olho para fora, chove. A Natureza é sábia.
8
12
677
Fiquei com vontade de ver isto.
One of the best movie ive ever seen.. Completely underrated 🎬Kin-dza-dza! (1986)
2
5
305
Chuva? Mas estamos nos trópicos?
1
2
602
Blarghh retweeted
Cada um escolhe o seu caminho
20
121
1,267
32,532
Blarghh retweeted
Depois das 🐐 🐐 sapadores florestais, agora temos as 🐑🐑 rapadoras de valetas.
4
2
26
1,935
Quando precisarem de explicar a alguém o que é a "iliteracia funcional" podem usar esta resposta e a publicação a que se dirige.
Replying to @Pndulo
Ainda bem que vocês têm mais medalhas que ele 😅😅😅
2
1
80
É científico 😀
2
209
RTP 2, agora. Uso de animais de trabalho. Falou um senhor que explicou tão bem uma série de coisas. Programa Biosfera.
58
Festa e uma das principais ruas cortadas há dias. Desvio por outra das principais ruas. Hoje, também cortada por causa de uma prova desportiva. O caos instalou-se.
1
1
148
Quem paga esta quantidade enorme de PSP e GNR? Com estas merdas não vejo reclamações e que há falta de Polícia
1
88