🇧🇷🏙️🌇 Além de todos fatores mencionados no outro post, PELA PRIMEIRA VEZ na história de São Paulo, estão demolindo prédios antes pequenos nos bairros bons: Jardim América, Jardim Paulista, Vila Nova Conceição, Itaim, e República do Líbano por falta de terrenos e estão construindo mega projetos. Só o fator de demolição vai adicionar pelo menos 20% nos valores dos apartamentos.
Isso vai fazer os preços dos barrios ótimos de São Paulo subir muito em 4-6 anos quando esses novos empreendimentos ficarem prontos.
Anotem aí.
🚨🏠 Primeiro artigo do ano:
Por Que os Preços dos Imóveis no Brasil Vão Continuar Subindo:
O mercado imobiliário brasileiro vive um momento de aceleração, com preços residenciais subindo 5,61% de janeiro a outubro de 2025, superando a inflação de 3,83% no período. Projetado para crescer de US$ 65 bilhões em 2023 para US$ 100 bilhões até 2031, o setor reflete uma dinâmica clássica de oferta e demanda: escassez de recursos versus pressão crescente por habitação. Em um modelo econômico de oferta inelástica – onde a disponibilidade de terrenos premium é limitada – e demanda elástica à renda, fatores como urbanização e ciclos econômicos impulsionam valores para cima. Aqui, desmontamos mitos e analisamos drivers reais, mostrando por que os preços tendem an ascender, sem sinais de reversão iminente.
Escassez de Terrenos em Bairros Nobres das Capitais
Nas grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, a falta de lotes em áreas centrais e valorizadas cria uma oferta rígida. Com urbanização acelerada – 88% da população já vive em zonas urbanas, crescendo 0,63% ao ano – a pressão sobre bairros premium intensifica. Em São Paulo, por exemplo, a especulação fundiária retém terrenos vazios, elevando custos e forçando novos projetos para periferias, o que não atende à demanda por localização privilegiada. Essa inelasticidade de oferta, conforme o modelo de Ricardo de aluguéis diferenciais, garante que preços subam à medida que a renda urbana cresce.
Aumento dos Custos de Mão de Obra na Construção
A construção civil enfrenta escassez de trabalhadores qualificados, com demissões superando contratações em 5,8% nos 12 meses até agosto de 2025. Salários pressionados e custos laborais subindo 6,14% em 12 meses impulsionam o preço por metro quadrado, que atingiu R$ 1.882 em novembro de 2025. Com o setor projetado para crescer 5,1% em 2025, totalizando R$ 707,59 bilhões, essa inflação de insumos – agravada por materiais em alta – transfere-se diretamente aos compradores, reforçando a tendência ascendente em um equilíbrio de mercado onde custos marginais ditam preços finais.
Boom de Commodities e Impulso Econômico
Brasil, exportador chave de soja, minério e petróleo, beneficia-se de ciclos globais de commodities. O último boom, impulsionado pela demanda chinesa, elevou renda real e emprego em regiões exportadoras, com ganhos salariais até 15% maiores que em não-exportadoras. Em 2025, com o real fortalecido a R$ 5,36/US$, o influxo de divisas aquece a economia, aumentando a propensão marginal a consumir imóveis como ativo. Modelos keynesianos preveem que esse multiplicador de renda eleve demanda por moradias, especialmente upgrades, sem expansão proporcional de oferta.
Déficit Habitacional Persistente
Apesar de cair para 5,97 milhões de unidades em 2023 – o menor da série histórica, com recuo de 3,8% ante 2022 –, o déficit ainda pressiona o mercado. Aluguéis excessivos respondem por 61,3% desse gap, afetando 27,66 milhões de moradias inadequadas. Norte e Nordeste lideram reduções (5,7% e 7,2%), mas Sudeste concentra o problema, forçando famílias a comprar em vez de alugar, em um equilíbrio walrasiano onde escassez eleva preços de equilíbrio.
Demanda Represada das Crises de 2015 e 2020
As recessões de 2015 (PIB -3,5%) e 2020 (pandemia) adiaram compras, criando uma reserva de demanda. Com recuperação pós-2021, famílias com imóveis existentes buscam upgrades para unidades maiores e melhores, impulsionando vendas em 2025. Preços médios atingiram R$ 9.366/m², com apreciação anual de 7-15% projetada até 2028. Essa liberação de demanda reprimida, similar a um efeito estoque em modelos de ciclo econômico, supera a oferta atual, elevando valores.
Migração para Capitais por Emprego, Saúde e Oportunidades
Fluxos migratórios internos – de rurais para urbanos desde os anos 1970 – continuam, atraídos por jobs, saúde e educação nas capitais. Em São Paulo, imigrantes buscam qualificação e salários melhores, agravando desigualdades mas impulsionando demanda habitacional. Com 11% da população acima de 65 anos, projetado para dobrar até 2040, migração por tratamentos médicos intensifica pressão em centros como Rio e Brasília. Essa aglomeração urbana, per Myrdal's cumulative causation, cria externalidades positivas que valorizam imóveis.
Desmontando o Mito da Queda Populacional
Projeções indicam pico populacional em 2041-2042, com declínio após, devido à taxa de fertilidade de 1,57 filhos por mulher. Mas isso não impacta preços agora: a pirâmide etária de 2025 mostra 60% da população abaixo de 45 anos, em fase de formação de famílias e aquisição de imóveis próprios. Faixas de 0-44 anos representam fatias robustas (3,1% a 4,0% por grupo), garantindo demanda por décadas. Até 2040, crescimento de 3,3% na população total e formação de 15,8% mais lares sustentam o mercado. Em modelos demográficos, o "demographic dividend" atual – com jovens produtivos – sobrepõe qualquer declínio futuro.
Lições de Tóquio: Declínio Populacional Não Significa Queda de Preços
No Japão, apesar de encolhimento populacional desde 2008, preços em Tóquio subiram 12,62% ano a ano até julho de 2025. Fatores como urbanização concentrada, investimento estrangeiro especulativo e inflação hedgiada explicam: valores no centro de Tóquio dobraram em uma década. Similar ao Brasil, migração interna e demanda por qualidade superam demografia bruta, provando que preços dependem de localização e economia, não só números populacionais.Em resumo, o mercado imobiliário brasileiro opera em um equilíbrio onde oferta restrita colide com demanda multifacetada, impulsionada por ciclos econômicos e demográficos. Sem intervenções massivas, como expansão de infraestrutura, os preços seguirão em alta, beneficiando investidores mas desafiando acessibilidade. Para quem planeja, o momento é de ação estratégica, não espera.