Voltou o fenómeno economista que me (nós) menciona sem mencionar-me/nos, sem compreender o que disse e sobretudo sem compreender nada habitação.
Uma pessoa fica sem saber se no Público, quando escrevem sobre habitação, tomam algum estupefaciente que interrompe as ligaçòes neuronais e a capacidade de raciocinar com um módico de inteligência, ou se estão mesmo a desinformar deliberadamente. Agora vêm com a aldrabice que o governo vendeu imóveis abaixo do preço de mercado porque comparam preços de prédios para reabilitação que o estado vendeu no mercado com preços de apartamentos prontos a usar, novos ou reabilitados.
A peça é sobre a venda (as feitas e as planeadas) dos imóveis do estado em Lisboa que ficaram desocupados com a mudança do governo para o edifício da Caixa Geral de Depósitos. A tese da notícia - o que já é questionável, porque as notícias não têm de ter tese - é que esses edifícios deviam ser usados pelo estado para habitação acessível. Ok, isso é um ponto de vista válido, mas um ponto de vista.
O pior é quando saltam para a aldrabice para argumentar o ponto de vista. Dizem que dois imóveis das avenidas novas foram vendidos abaixo do preço de mercado, porque foram vendidos por 3072€ e 3284€ por metro quadrado, quando a mediana das vendas de casas naquelas zonas são de 6104€ e 5366€ por metro quadrado. Ou seja, a génia que escreveu a ‘notícia’, e o editor que a aprovou, comparou os preços de venda de dois imóveis com dezenas de anos, que terão de sofrer reabilitação qualquer que seja o fim a que se destinem - se forem para habitação, e modesta, terá de se acrescentar pelo menos mais 1500€/metro quadrado - com a mediana (atenção, que não colocaram a média, que é diferente) do preço de venda de casas que incluiu uma maioria de casas terminadas, novas ou reabilitadas, ou necessitando apenas de pequenas intervenções, e numa zona onde os acabamentos das casas costumam ser, no mínimo, para o médio alto. Além, claro, do efeito quantidade. Quando se compram 100metros quadrados, o preço é tal. Quando se compram 1000 metros quadrados o preço tem sempre algum desconto de quantidade. Comprar um apartamento não é o mesmo que comprar um prédio.
A única comparação que o Público podia fazer era entre a venda de edifícios completos para reabilitačão naquela zona. Mas isso já não daria para o número ludibriador de ‘o governo mauzão vendeu abaixo do preço de mercado’. E nem conseguem perceber que se os imóveis foram vendidos por hasta pública, podendo qualquer entidade apresentar propostas, e ninguém apresentou propostas mais altas do que as escolhidas, o preço de mercado dos imóveis que o estado vendeu é exatamente aquele por que vendeu, porque foi o mercado a funcionar.
E depois a ‘notícia’ tem a lata de dizer que o estado compra imóveis para habitação acessível mais caros do que vendeu os das avenidas novas. Exemplos? Não deu. Vêm a seguir dois ‘especialistas’ dar o exemplo de casas em Benfica que ficaram a 340.000€ cada, em média, o que é um valor barato em Lisboa para casas prontas a habitar. O que é que isto tem que ver com os valores de venda dos imóveis usados das avenidas novas? Nada, mas o Público espera que o leitor imbecil não repare. Em lado nenhum está demonstrado que o estado não diaponibiliza mais casas para arrendamento acessível se vender os imóveis em zonas prime que tem, arrecadando os valores correspondentes a essas zonas, e construindo ou reabilitando em zonas mais baratas. Vão buscar números para comparar alhos com bugalhos e pronto, está feita a tese da estupidez e cupidez do governo que quer reforçar a especulação imobiliária nas zonas caras (tinham que ir buscar um ‘especialista’ para falar disto) em vez de dar casas aos pobrezinhos.
Esta tonteria segue-se àquela, de há uns meses, em que outros ‘especialistas’ (curiosamente o Público nunca se socorre de eapecialistas que trabalhem no mercado imobiliário, ou em economistas) diziam a maravilha de construir casas fazer aumentar os preços das casas. Enfim, o Público anda a esforçar-se para escrever muitas fake news sobre habitação.