Hoje, um princípio elementar da soberania dos povos foi rasgado como se não fosse nada, e isso é perigoso em muitos níveis.
É um roteiro lógico, em plena continuidade: primeiro o Irã, depois o Chile, em seguida o Iraque, então a Líbia e, por fim, a Venezuela. Sempre com o mesmo discurso de “libertação” e “democracia”, seguido pelo real e óbvio interesse em petróleo, outros recursos e posição geopolítica.
Trata-se do único país do mundo que, historicamente, transitou livremente entre uma sanção e um míssil, como se não fosse nada, quando suas sanções econômicas não são suficientes para atingir os resultados pretendidos. Ou até mesmo utiliza as sanções para preparar e desestabilizar nações inteiras, tornando-as frágeis demais.
Os Estados Unidos sempre foram o país que se vestiu da régua moral do mundo, enquanto financiou golpes, apoiou ditaduras militares, treinou torturadores, sabotou eleições e estrangulou economias por meio de sanções.
É válido criticar as violações internas do regime venezuelano, mas isso de forma alguma pode legitimar o uso de força militar externa como se fosse “solução”, porque isso não é sobre narcotráfico, tampouco sobre democracia. É, intrinsecamente, uma guerra petrolífera.
A autodeterminação dos povos deveria estar acima de qualquer agenda externa. Esse é um princípio basilar.
A solução para os problemas venezuelanos nunca será militarizar a crise nem entregar a resolução política nas mãos de quem deseja controlar recursos, esferas de influência e abrir um precedente perigosíssimo na América Latina, como se vidas latino-americanas e a soberania de seus povos fossem descartáveis no tabuleiro geopolítico.
Além disso, é sempre importante ressaltar que a história mostra como intervenções externas, historicamente, agravam crises humanitárias e custam caro na vida de civis comuns.
A América Latina já aprendeu isso derramando sangue inocente. Quem ainda acredita em “intervenção humanitária” feita por império ou não conhece a história, ou escolheu esquecê-la.