No Bitcoin, você não tem um “saldo” em bitcoin no sentido bancário.
Não existe uma conta com seu nome e um número dizendo “você tem 0,5 BTC”.
O que você tem é um conjunto de outputs não gastas (chamados UTXOs, de Unspent Transaction Outputs) espalhados pela blockchain, cada um esperando ser referenciado como input de uma transação futura.
Para quem vem do mundo financeiro, isso é contraintuitivo. No seu banco, existe uma linha no sistema dizendo “Fulano: saldo de R$ 10.000”.
No bitcoin, o equivalente seria mais ou menos assim: “existe um output de 0,3 BTC criado na transação A que só pode ser gasto por quem tiver a chave do endereço bc1q...xyz.
E existe outro output de 0,2 BTC criado na transação B com a mesma condição.”
Quando sua carteira mostra “0,5 BTC”, ela está somando esses dois UTXOs.
Uma analogia que funciona bem:
Imagine que você tem notas de dinheiro no bolso. Uma nota de R$ 20 e outra de R$ 50.
Seu “saldo” é R$ 70, mas ele é composto por duas unidades físicas distintas. Se você quer pagar R$ 30, precisa entregar a nota de R$ 50 e receber R$ 20 de troco.
É exatamente isso que acontece no bitcoin, mas você não receberia R$ 20 de troco.
Receberia, por exemplo, R$ 19,90 e os R$ 0,10 ficaria para o minerador que validou sua transação e ganhou a corrida para achar o bloco primeiro.
Se você quer enviar 0,25 BTC e seu único UTXO é de 0,3 BTC, a transação “gasta” o UTXO inteiro e cria dois novos: 0,25 BTC para o destinatário e ~0,05 BTC de troco para você (menos a taxa).