O dia em que a Rainha Isabel II
" exigiu " um Mateus Rosé no Savoy
Um dos hotéis mais luxuosos do mundo foi apanhado completamente desprevenido por causa de um... vinho português
A Rainha Isabel II era conhecida pelos seus hábitos frugais e, no que tocava a vinhos, preferia habitualmente opções mais modestas, sobretudo vindas de países da Commonwealth
Mas havia uma grande excepção que vinha diretamente de Portugal, o famoso Mateus Rosé
Na cidade de Londres, o vinho " sofisticado " que serviram à Rainha simplesmente não lhe agradou
Com a máxima diplomacia britânica, Sua Majestade pediu que lhe trocassem o copo por um Mateus Rosé.
O Savoy, por considerá-lo um vinho demasiado " corrente " e popular, não o tinha na sua luxuosa garrafeira.
Como um pedido real é, na verdade, uma ordem, os funcionários tiveram de sair a correr pelo centro de Londres para encontrar e comprar uma garrafa do icónico néctar da Sogrape
A Rainha acabou a noite a brindar com o seu vinho favorito e, reza a lenda, que nunca mais a data faltou Mateus Rosé na adega do Savoy
O Mateus Rosé foi um autêntico fenómeno pop global no século XX! A sua famosa garrafa ( inspirada nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial ) não conquistou apenas a Rainha de Inglaterra. Grandes ícones da música como
Jimi Hendrix, Elton John e os Led Zeppelin ( realeza musical aqui ) faziam questão de ter este vinho português nos seus camarins
O luxo é relativo, mas o gosto de uma Rainha não se discute
Algumas curiosidades deste nosso vinho
O " bunker " de Saddam Hussein
Esta é, provavelmente, uma das histórias mais bizarras. Quando o ditador iraquiano Saddam Hussein foi capturado pelas forças americanas em 2003, os soldados revistaram os seus palácios e complexos subterrâneos. No meio dos bens de luxo escondidos no seu bunker, encontraram uma cave privada recheada de caixas de Mateus Rosé. Pelos vistos, era o vinho de eleição do ditador.
Uma garrafa inspirada na Guerra
O formato icónico da garrafa como expliquei supra ( achatada e arredondada ) não foi um capricho estético ao acaso. O criador do vinho, Fernando van Zeller Guedes, inspirou-se nos cantis de água usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. O objetivo era criar uma embalagem que se destacasse imediatamente nas prateleiras, no meio das habituais garrafas altas e esguias de vinho branco ou tinto. E funcionou na perfeição!
O segredo do "frisante" foi um acidente feliz
Aquele toque ligeiramente gasoso e refrescante do Mateus Rosé nem sempre foi planeado para ser assim. No início da produção ( anos 40 ), o vinho sofria uma ligeira fermentação secundária dentro da garrafa devido a instabilidades térmicas durante as longas viagens de exportação. Em vez de ser um defeito, o público internacional
( especialmente no Reino Unido e nos EUA, habituados a refrigerantes e cerveja ) adorou as bolhas. A Sogrape percebeu o sucesso e passou a estabilizar essa receita de propósito.
Um gigante da economia portuguesa
Houve uma altura, entre os anos 60 e 70, em que o Mateus Rosé não era apenas um vinho: era o motor de exportação de Portugal. O sucesso era tanto que esta marca chegou a representar mais de 40% do total das exportações de vinho de mesa português. Estava literalmente em todo o lado, de Hong Kong a Nova Iorque.
O brinde do Papa...
Existe uma lenda urbana pelo meio vinícola que diz que o Papa João Paulo II era fã deste vinho e que o consumia informalmente nas suas refeições privadas. Embora a Sogrape nunca tenha usado isso como publicidade oficial por questões éticas e de respeito pelo Vaticano, a história correu o mundo e ajudou a cimentar o estatuto de culto da marca.