A gente talvez possa apontar diversos fatores táticos, estruturais e estratégicos que definem o porque o Marrocos conseguiu executar melhor seu plano de jogo diante do Brasil
Disputas de duelos, inversões rápidas pegando o lado oposto sempre descoberto, melhor posicionamento pra estar em vantagem numérica com ou sem bola, melhor execução tanto na pressão alta quanto pra contrabater a pressão do Brasil.
Mas de todos esses fatos, o que mais me chamou atenção, foi a coragem.
Coragem de acreditar nos processos, de acreditar no que se tem de melhor, principalmente de confiar no que é aquilo que representa sua essência e cultura quanto futebol dentro de um projeto de futebol que forma jovens para serem o que sempre quiseram ser em toda sua vida.
Bouaddi tem 18 anos no RG, mas afinal, de que isso importa? O futebol não olha pra idade, mas pra capacidade e principalmente o estímulo que você dá pra aflorar a personalidade daquilo que mesmo tão novo, consiga se sentir à vontade
Claro que existem processos e principalmente proteção ao que se tem de mais prospecto, mas não pode confundir isso, com falsa proteção e omissão do que se tem de melhor pedindo passagem.
Enquanto nossos garotos parecem ter que suar sangue pra provar sempre que podem jogar, um também menino em outro país, faz 100 minutos excepcionais no maior palco do futebol mundial, leve, sucinto, desfrutando do jogo como se fosse o futebol da rua da sua casa, sem medo ou temor algum enrustido ao lhe dar uma oportunidade.
Enquanto vimos bouaddi fazer 100 minutos pela sua seleção, na contramão disso, também vimos endrick (que não tem se quer 2 jogos como titular da seleção) mofando mais uma vez no banco.
Aqui, chego o que mais bato na tecla sobre o futebol brasileiro e como lidamos com o talento que é acima da média, existe um receio, quase medo mesmo de estimular e dar as devidas honras ao que temos de melhor dele poder acreditar e ser tratado da forma que é do pedestal do seu talento. Falar que é bom, qualquer um pode falar, o que vejo é que falta atitude de bancar e dar a devida confiança pra tentar, independente do erro ou acerto em qualquer que seja o jogo, pra sustentar.
Enquanto outros veem seus prospectos como uma parte da solução, aqui parecemos sempre querer tratar tudo como uma eterna hipótese de desconfiança e descrença do que melhor temos, maquiando uma falsa cautela como “proteção”.