Em 28 de fevereiro de 2013, a
$VALE assinou um contrato sem data de vencimento.
Salobo é uma mina no Pará que produz principalmente cobre, com ouro como subproduto.
Para financiar a expansão, a Vale precisava de capital. A solução foi vender o ouro antes de extraí-lo.
Esse mecanismo se chama streaming.
A Silver Wheaton (hoje Wheaton Precious Metals) pagou US$1,33 bilhão pelo direito de comprar 25% de todo o ouro que Salobo produziria pelo resto da vida da mina.
Preço fixo: US$400 por onça.
No dia da assinatura, o ouro estava a ~US$1.670/oz e o cobre a ~US$3,74/lb.
O desconto parecia razoável por capital imediato.
E o cobre, que a Vale estava retendo, era precificado como metal industrial cíclico qualquer.
A Vale não parou por aí.
Em 2015, vendeu mais 25% do ouro de Salobo à Wheaton por US$900 milhões.
Em 2016, os últimos 25% por US$800 milhões.
No total: US$3,03 bilhões em troca de 75% do ouro de Salobo, "para sempre", a ~US$400/oz com ajuste de inflação mínimo de 1% ao ano.
O ouro está hoje a ~US$4.550/oz.
A Wheaton continua comprando esse ouro a ~US$428/oz e vendendo a mercado.
Margem por onça: ~US$4.100.
A mina produz centenas de milhares de onças de ouro por ano.
Sobre um investimento de US$3,03 bilhões feito há menos de uma década.
O cobre, que a Vale decidiu manter, está a US$6,40/lb, ~70% acima do nível de 2013.
O all-in cost de produção de cobre em Salobo é de US$1.000–1.500/t conforme guidance da própria Vale.
Com ouro acima de US$4.500 hoje, esse custo cai ainda mais, colocando Salobo entre as operações de cobre mais competitivas do mundo.
E o ICSG projeta o primeiro déficit estrutural de cobre desde 2009.
A S&P Global estima crescimento de 50% na demanda até 2040, com eletrificação, veículos elétricos e infraestrutura de IA.
A Vale não quer ser mineradora de metais preciosos.
Ouro sobe por medo, por geopolítica, por política monetária.
Cobre constrói redes elétricas, motores, data centers.
A Vale usou o ouro de Salobo como capital para construir uma das operações de cobre mais baratas do mundo.
No 1T26, o CPV unitário de cobre após subprodutos em Salobo atingiu US$−2.163/t.
O ouro não apenas zerando, mas invertendo o custo do cobre.
O que parecia uma decisão de financiamento em 2013 foi, na prática, o primeiro passo de uma transformação de identidade.
A
#VALE3 não é mais um play de minério de ferro puro tem tempo.
Salobo é hoje a expressão mais clara dessa transformação, e está acelerando a cada trimestre.