Fui BANIDO do Telegram sem motivo: um estalar de dedos e fui cortado do mundo digital.
Esse foi o meu ERRO crasso: escolher ser mais um refém da Big Tech e acabar confiando em sistemas centralizados.
É setembro de 2025 e muito se fala em liberdade de expressão, mas esse não é meu ponto aqui. Talvez eu seja, nas palavras do Monark, "mais louco que todos vocês", porém não é esse o motor da minha revolta momentânea. De nada adianta possuirmos liberdade de expressão quando essa liberdade é uma mera concessão.
Se todas as nossas conversas, negócios, memórias e até nossa liberdade de expressão dependem de plataformas digitais, já nos tornamos reféns de uma estrutura de poder que nos deixa em uma extrema vulnerabilidade: interna e externa.
Essa dependência é um problema cada vez mais evidente que vai muito além do banimento de um aleatório da bolha bitcoinheira do Telegram. O ponto aqui é: colocar tudo de todos nas mãos de poucos. O que parecia distopia cyberpunk de 1990 hoje é o novo normal: empresas decidem quem pode falar, o que pode ser dito e até quando você pode acessar suas próprias mensagens.
Fui banido do Telegram sem explicação mesmo tendo conta Premium. Sim, depois de anos recorrendo contra inúmeros perfis fakes se passando por mim, os fakes começaram a criar perfis Premium e ter contas verificadas também. Em paralelo a isso, inúmeros grupos se multiplicam vendendo pornografia infantil debaixo dos nossos narizes e nada é feito. A mensagem é clara: você pode ser cortado do mundo com um estalar de dedos.
Para quem depende desses aplicativos para trabalhar, como eu, que preciso falar com meus clientes, um banimento é mais do que um transtorno: é um golpe no bolso e na confiança. E não há a quem recorrer. Os suportes NÃO respondem, não interessa com quanto tempo sua assinatura Premium expira, PERDEU, MANÉ! Nossos algoritmos opacos e nossas políticas arbitrárias agora são os juízes da sua vida digital.
No Brasil, isso dói mais ainda quando olhamos para o corredor polonês no meio do qual estamos metidos. Não bastando a completa dependência da Big Tech, ainda precisamos lidar com nossos simpáticos déspotas domésticos. A ascensão do Supremo Tribunal Federal e da ANATEL como órgãos censores nos coloca num beco aparentemente sem saída.
Em 2022, o bloqueio temporário do Telegram no país, determinado por um único ministro, mostrou como a combinação de sistemas centralizados com um judiciário autoritário pode silenciar milhões de vozes da noite para o dia (e de quebra torna muitos opositores à censura estatal na posição de fãs do Telegram, que irônico!).
Quando uma plataforma é controlada por um único ponto, basta uma ordem judicial para que ela se dobre ou para que ela decida te excluir, seja por pressão externa ou por interesses próprios. Além disso, a privacidade é uma ilusão em TODAS essas plataformas. As big techs, como Meta e Google, sugam nossos dados como se fosse um pedágio para existir online. Mesmo o WhatsApp que promete criptografia pertence a empresas que vivem de vender nossos metadados – quem você chama, quando e por quanto tempo.
Esses dados SEMPRE acabam nas mãos de anunciantes, de bandidos ou de autoridades que os usam para monitorar e perseguir. Nesse Bostil em que o judiciário tem solicitado informações de usuários a essas empresas com frequência assustadora, confiar em sistemas centralizados é entregar sua vida numa bandeja. Não preciso nem dizer como sistemas centralizados são alvos fáceis, ou preciso? Um único hacker pode expor milhões de pessoas, como vemos constantemente em vazamentos gigantescos de dados bancários e afins.
Uma única decisão judicial pode derrubar uma plataforma inteira, como já aconteceu com o WhatsApp em 2016 e o X em 2024. É a guerra do mal contra o ruim. E nos tornamos dependentes de ambos! Quando tudo depende de um servidor central, você está a um passo de perder tudo.
É hora de parar tudo e realmente ponderarmos sobre as alternativas descentralizadas de plataformas que se multiplicam entre vários servidores ou até eliminam a necessidade de servidores centrais, usando redes peer-to-peer. Isso significa que ninguém – nem uma empresa, nem um juiz – pode simplesmente apertar um botão e te calar. Se queremos mais resistência à censura e proteger melhor nossa privacidade, também precisamos advogar pelos sistemas de código aberto que qualquer um com conhecimento técnico pode verificar.
Mas, sejamos honestos: essas soluções ainda não são tão fáceis de usar quanto o WhatsApp, e convencer todos os clientes a migrarem para o Session, Simplex, NOSTR e aprenderem a usar uma OpenKeyChain da vida pode ser um desafio. Um desafio que vale muito a pena! Continuar refém das big techs e de um judiciário que age como ditador digital não é mais uma opção. Estamos presos em uma teia onde nossa liberdade e privacidade são negociadas sem nosso consentimento (já que nem mesmo os termos e condições de uso que "aceitamos" são tão claros assim). Migrar para sistemas descentralizados é mais do que uma escolha tecnológica, é um ato de inteligência.
É ter um controle básico sobre nossas vozes e dados numa era em que a liberdade é um crime. A mudança não é fácil, mas é necessária. Porque, no fim das contas, depender de quem pode te silenciar a qualquer momento é viver com uma corda no pescoço.
O MEIO É A MENSAGEM
Não em vão me vem à mente a expressão "the medium is the message" do filósofo e teórico da comunicação Marshall McLuhan na década de 1960, em seu livro Understanding Media. McLuhan demonstra que o conteúdo de uma mensagem (o "o quê" é dito) é muitas vezes menos importante do que o meio pelo qual a mensagem é transmitida (o "como" é dito).
Como? Bem, o meio molda, influencia e muitas vezes determina como a mensagem é percebida, interpretada e aplicada na psiquê do destinatário. Mais que um canal neutro; o meio carrega estruturas de poder, normas e efeitos que transcendem palavras ou imagens em si. O meio não é um vaso vazio, é o vaso que molda o conteúdo e o mundo ao nosso redor.
Aplicando isso ao que discutimos, o "meio" são essas plataformas digitais centralizadas, e a "mensagem" são as interações cotidianas: conversas com clientes, opiniões políticas, negócios ou expressões de afeto pessoal. Bem, na minha opinião, meio não é neutro: ele transforma a mensagem de maneiras profundas e perigosas.
O Meio controla e nos afunda na ilusão da liberdade de expressão concedida
Em um sistema centralizado, o meio dita as regras do jogo. Todas às vezes que eu usei o Telegram para falar com clientes, por exemplo, não apenas enviei mensagens, mas aceitei que uma empresa (no caso, a Telegram Messenger LLP) ou um governo possam interromper essa comunicação a qualquer momento. Meu banimento pessoal ilustra isso: a mensagem (minhas conversas profissionais) foi silenciada não pelo conteúdo em si (assim espero), mas pelo meio, que permite decisões arbitrárias sem apelação. Quando você tem isso realmente em perspectiva, toda a mensagem original é realmente alterada, transformando-a em algo efêmero e condicional.
Decisões do STF como ordens para remover conteúdos e banir perfis, mostram como o meio centralizado facilita a censura. A mensagem (uma opinião política ou crítica) perde força porque o meio a torna vulnerável a um "interruptor" central (um juiz ou uma empresa). O meio cria uma "estrutura de aceitação" onde a liberdade é ilusória e simulada; você pensa que está se expressando livremente, mas a plataforma já pré-filtra (e pode bloquear posteriormente).
O Meio coleta e monetiza dados, mudando a organicidade da mensagem
Plataformas como WhatsApp (da Meta) são mais que transportadores de mensagens, também são máquinas de vigilância. O meio coleta metadados (quem fala com quem, quando, por quanto tempo, seu tempo de atenção à tela, sua íris diante da câmera, etc.), mais valiosos que o conteúdo em si para fins comerciais (ou de controle). Sua mensagem para um cliente, um amigo ou parente pode ser privada ou totalmente despretensiosa, porém o meio a tornará em dados vendáveis, classificando padrões de comportamento. Isso distorce a mensagem: o que era uma conversa profissional ou pessoal vira commodity (e em investigações políticas o meio vira ferramenta de perseguição).
Exemplo prático: imagine discutir um contrato sensível via WhatsApp de um cliente que está fazendo de tudo para escapar do Brasil, por assim dizer. Por mais que o conteúdo seja criptografado em um servidor central que eles mesmos possuem a chave para descriptografar com um código fonte que ninguém pode auditar (rsrsrsrs), mas o meio revela conexões que podem ser usadas contra você em um contexto de "ditadura judicial". O meio, assim, não só transmite a mensagem, mas a recontextualiza em um ecossistema de poder, onde empresas e autoridades se aliam.
O Meio cria dependência e renormatiza a sociedade
Mídias conectam as pessoas? Sim, mas elas estão conectadas por onde e como? Será que há real liberdade de circulação da informação quando estamos conectados dentro de uma bolha (com suas infinitas sub-bolhas)? A comodidade dos meios centralizados criam uma dependência coletiva: no Brasil, 99% das pessoas com smartphone usam WhatsApp (Instituto Data Sobrinho de Pesquisas coletou esse dado dia 31 de fevereiro) , o que torna migrar difícil. A mensagem (minha comunicação com clientes) é moldada por essa norma: eu adota o meio porque todos o usam e isso reforça o controle central. Quando o judiciário intervém, como em bloqueios passados do WhatsApp em 2016, o meio inteiro "desaparece", paralisando a sociedade e mostrando que a mensagem só existe enquanto/quando o canal permite (ou é permitido).
Somos coletivamente acorrentados e nos tornamos reféns de nós mesmos, tornando muito mais difícil se libertar e adotar alternativas descentralizadas. O meio centralizado é a corrente que não só carrega a mensagem, mas a prende.
Isso realmente importa?
Vai importar a partir do momento em que você notar que o problema não são só os banimentos, restrições ou censuras. O problema consiste no fato de que o meio centralizado os torna inevitáveis e normalizados. Ele incentiva uma cultura de conformidade, onde falamos "livremente" até sermos calados (ou APAGADOS). A solução, como discutimos, está em mudar o meio: adotar plataformas descentralizadas como Session ou NOSTR, onde o canal é distribuído, resistente à censura e devolve o controle ao usuário. Nesses meios, as mensagens ganham vida, autenticidade e durabilidade por não dependerem de um tirano cyber-judicial.
Aonde estou agora?
NOSTR: npub13j4jtgrm0dtsfzecx4khzz5a8ykgdd374qewewj0ksfmenps67lqz2yr8a (ou SobrinhoBTC@primal.net)
Session: 0599bdfce6996960a0cfb4e42f66d4a5ef3ad2277111e22619efdfb92865c00b37
Simplex:
smp19.simplex.im/g#qBi9oj_V5…