Rodolfo Laterza/ GSEC - Instituto de Altos Estudos em Segurança, Geopolítica e Conflitos.
*O impasse de neutralização dos ataques saturados de drones para qualquer força militar na atualidade*
Ontem no ataque massivo de drones a 16 regiões russas e a Moscou, a defesa aérea russa funcionou muito bem na contenção dos efeitos e danos.
O problema, como já explicamos em várias ocasiões, é o volume e a escala de lançamentos diários, com toda uma coordenação e planejamento definidos pela OTAN através de sua constelação de satélites que permitem definir a posição das defesas aéreas, os pontos vulneráveis e as melhores rotas e trajetórias de voo que permitem alguns drones atingirem alvos estacionários grandes, principalmente infraestrutura crítica como complexos petroquímicos, portos e refinarias (que exigem muitos recursos para negação de área e de impacto).
Além disso, a enorme fronteira e a possibilidade ilimitada de usar o espaço aéreo internacional limítrofe torna extremamente difícil interceptar tudo.
O indicadores de 96% de neutralização são críveis e notáveis, porém por serem ataques diários e com centenas de drones operados com toda infraestrutura de comunicação, comando, controle, computação, reconhecimento, inteligência e monitoramento garantida pela OTAN através de um complexo de sistemas sem igual no planeta, é uma situação bastante adversa evitar ainda que 5% de danos a cada ataque.
A guerra de desgaste a partir de drones criou uma perspectiva de intensidade, assimetria e exaustão para qualquer força militar no planeta.
Tecnologias de Interceptação e contenção existem, o problema é a saturação dos sistemas de neutralização decorrentes do volume de lançamentos, a baixa reflexão da superfície dos drones para detecção de radares móveis e fixos, a inviabilidade e incompatibilidade de uso massivo de mísseis antiaéreos caros e que não permitem uso continuo e sequencial devido à dificuldade de reposição de estoques e de produção de tais sistemas pelo complexo industrial militar e a facilidade de reposição/construção/montagem/emprego dos drones em nível diário.
Pode -se empregar soluções integradas multicamadas como mísseis antiaéreos de área e de ponto; interceptação por helicópteros ou caças; canhões com alta cadência de disparos com controle automatizado de tiro e integrados por radares móveis; uso de drones interceptores; sistemas distintos de guerra eletrônica; implantação móvel e fixa de grupos móveis de fogo para Interceptação em trajetórias próximas aos pontos de impacto; a realidade e que além do enorme gasto de recursos humanos e materiais para tal, nada disso isoladamente ou coletivamente vai garantir um nível qualitativo de Interceptação de 100% em um ataque saturado de drones (situação que se agrava se for em nível diário e com toda um sofisticada rede de comunicação e inteligência subjacente).
Isso explica a estratégia de retaliação bem sucedida do Irã perante a coligação EUA-Israel e o impasse estratégico criado pela OTAN através da Ucrânia para a Rússia diante de tais ataques sistemáticos com danos múltiplos.