Henrique de Gand fala que se o ente é predicado analogicamente de Deus e criatura, isso significa que correspondem ao nome dois conceitos distintos — não um. Ele distingue de quando concebemos o ente sem determinação (esse indeterminatum), e essa indeterminação é, no caso de Deus, negativa (Deus não é determinável, porque é infinito), e no caso da criatura, privativa (a criatura é determinável, só ainda não determinada). E então temos um desastre, porque o conceito unificado de ente enquanto sujeito da metafísica se desfaz numa multiplicidade de dois conceitos, e o caminho do finito ao infinito fica bloqueado.
Henrique afirma que conceber o ente simplesmente (esse simpliciter) sem determinar se é ente divino ou criado não gera um conceito real comum, porque a indeterminação negativa e a privativa são próximas mas distintas, e o intelecto que não as distingue comete um erro. A solução de Henrique de recorrer à iluminação divina para a apreensão do conceito divino é, do ponto de vista de Scotus e de Mayronis, inadmissível, porque compromete o caráter natural da metafísica.
Scotus vai radicalizar o problema de Henrique para solucioná-lo. Pra Scotus, não tem um meio-termo entre univocação e equivocação — a analogia é, no fundo, equivocação disfarçada (Quaestiones super librum Elenchorum q. 15 n. 6, p. 12–13): "Inter idem et diversum non cadit medium; ergo omne quod concipitur, concipitur sub eadem ratione vel diversa. Sed illa quae concipiuntur sub eadem ratione, in illa ratione univocantur."
Se o conceito de ente não é equívoco (o que seria inaceitável para uma metafísica), então é unívoco. Mas como pode ser unívoco se a predicação categorial não admite univocação de Deus e criatura? A saído pra isso é introduzir uma distinção entre conteúdos formais (quidditativos) e modos internos (modais). O conceito de ente enquanto tal abstrai de toda determinação modal — de todo modus intrinsecus que tornaria o conceito aplicável apenas a este ou àquele tipo de ente. A univocidade do ens inquantum ens é garantida jsutamente por sua indeterminação modal.
O conceito do ente como tal é abstraído em abstração progressiva dos modi intrinseci — finitude, infinitude, necessidade, contingência etc. — que acompanham necessariamente cada ente concreto quando pensado como concreto. O resultado é simplesmente um conceito "imperfeito" (conceptus imperfectus) no sentido de que não captura o ente em sua plena determinação, mas "comum" (conceptus communis) no sentido de que pode ser predicado univocamente de Deus e criatura. Scotus denomina esses modos diferenciadores de conceptus contrahentes ou, mais tecnicamente, modi intrinseci. A distinção entre o conteúdo formal e o modo interno é a base da distinção modal (distinctio modalis ou distinctio formalis em alguns contextos). "Omnis intellectus, certus de uno conceptu et dubius de diversis, habet conceptum de quo est certus alium a conceptibus de quibus est dubius [...] Sed intellectus viatoris potest esse certus de Deo quod sit ens, dubitando de ente finito vel infinito." (Ord. I d. 3 p. 1 q. 1–2 n. 27, Ed. Vat. II, 18, p. 13). O argumento é epistêmico, seeu posso ter certeza de que Deus é ente sem saber se é ente finito ou infinito, então o conceito de ente usado nessa certeza é distinto dos conceitos de ente-finito e ente-infinito — logo, é um conceito unívoco próprio.