"CALMON DE PASSOS, no alto da sua experiência, mencionava um processo no qual defendeu uma grande instituição financeira. A discussão envolvia 3,5 milhões de dólares. Revoltado com a insistência do juiz em prejudicar o constituinte, pediu uma reunião com a diretoria, na qual propôs conceder uma entrevista bombástica à imprensa.
Um dos diretores, gargalhando, respondeu:
'Calmon, você é de uma ingenuidade que dói. Você sabe qual é o nosso movimento diário? Você sabe quantas pendências nós temos com o Judiciário? Esse caso não é débito para nós. Há mil e um artifícios pelos quais nós podemos diluir os nossos prejuízos. Fique tranquilo. Ganhe seus honorários. O Judiciário é um mosquito borrachudo. Aporrinha, mas não adoece e não mata. Ele adoece o micro devedor, o microempresário, mas, contra o macro, ele é impotente.'”
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