Não sou especialista em segurança pública. E sou politicamente progressista desde a adolescência. Nosso campo político tem muita dificuldade de lidar com o tema da segurança pública - muita mesmo.
Porém, hoje esse é o tema mais importante para a população brasileira. Mais do que a economia, até. É ele, provavelmente, quem vai definir a eleição ano que vem. A direita, embora incapaz de resolver o problema, tem um discurso de enfrentamento e endurecimento que é extremamente sedutor para quem sofre com a bandidagem no dia-a-dia.
Pode ser arriscado, mas precisamos tirar das mãos dos trogloditas o monopólio da narrativa do combate ao crime. E não é só uma questão da disputa política. O que todos os brasileiros esperam - inclusive os que votaram em Lula - é que o Governo Federal seja capaz de agir e dar a resposta que o fracassado governador fluminense não é capaz de dar.
Daqui do meu cantinho de leigo no assunto, mas vítima do caos de quem sofre com a criminalidade, sugiro uma medida radical: assim como Temer fez, decretar a intervenção na segurança pública do Rio. Não há como saber se vai dar certo, inclusive diante da urgência, é bem possível que dê errado. Mas é importante sair da inércia e buscar fazer diferente de uma lógica sanguinária, que só pune os mais pobres.
Lula, assuma o controle da segurança pública no Rio! Nomeie um civil para comandá-la, priorize ações de inteligência, de asfixia financeira do crime organizado, de controle rigoroso do comércio de armas pesadas, use as Forças Armadas de forma adequada.
Se limitar a criticar o governador e simplesmente torcer para dias melhores surjam vai corroer a sua avaliação e decepcionar quem realmente espera respostas. A continuar assim, o caldo de cultura está pronto para fazer nascer um Bukele tupiniquim.