Quando se fala em desenvolvimento econômico, o Marrocos não costuma aparecer no centro do debate. Ainda assim, a trajetória do primeiro adversário do Brasil na Copa oferece algumas lições interessantes para o Brasil — tanto pelo que deu certo, quanto pelo que deu errado.
Do lado positivo, uma das principais lições está na infraestrutura. O Marrocos investiu fortemente em portos, rodovias, ferrovias e energia, reduzindo custos logísticos, ampliando sua integração ao comércio internacional e tornando o país mais atrativo para novos investimentos.
Outro ponto importante é a previsibilidade para os negócios. Por meio de acordos comerciais, zonas industriais e simplificação regulatória, o país conseguiu atrair indústrias de maior valor agregado, incluindo montadoras, empresas aeronáuticas e centros logísticos que exportam para Europa, África e Oriente Médio.
A estabilidade institucional também desempenhou um papel relevante. Mesmo enfrentando dificuldades econômicas, o Marrocos conseguiu manter um ambiente relativamente previsível em uma região frequentemente marcada por conflitos e instabilidade, algo que ajuda a gerar confiança para investidores de longo prazo.
Mas há também lições sobre o que não basta fazer. O país ampliou significativamente o investimento e o acesso à educação, porém os resultados de aprendizagem continuam abaixo do desejado. O caso mostra que aumentar matrículas é importante, mas qualidade importa tanto quanto acesso.
O mesmo vale para a saúde. A expansão da cobertura e dos programas de proteção social ampliou o alcance dos serviços, mas desafios relacionados à qualidade do atendimento permanecem. Mais recursos e mais cobertura não garantem, por si só, melhores resultados.
O caso marroquino lembra que desenvolvimento não depende de uma única política. Infraestrutura, ambiente de negócios e estabilidade institucional ajudam a criar prosperidade. Educação e saúde, por sua vez, exigem foco permanente em resultados, e não apenas em expansão da cobertura.