"O Segredo de Widow's Bay" talvez tenha uma das combinações mais difíceis de acertar: terror e comédia, sem cair no humor pastelão.
O humor da série não vem de piadas ou tiradas geniais. Ele vem do absurdo tratado com a maior naturalidade do mundo.
A cena da Rosemary lendo a árvore genealógica de Richard Warren resume perfeitamente isso. "Bebê morto, bebê morto, lésbica!" poderia ser apenas uma piada aleatória, mas funciona por causa do timing, das pausas. Da absoluta falta de noção com que ela despeja informações cada vez mais absurdas enquanto Patrícia tenta, sem sucesso, impor algum filtro civilizatório à situação. "Dá pra parar de falar lésbica?". Rosemary continua: a próxima fornada é toda de retardados.
O mais interessante em Widow's Bay é que a série parece não estar tentando arrancar uma gargalhada, ela prefere aquele riso que chega atrasado, quando você percebe o tamanho do absurdo que acabou de acontecer. E talvez seja justamente por isso que funcione tão bem. No meio de uma ilha amaldiçoada, assombrações, tempestades sobrenaturais e gente desaparecendo na névoa, os personagens vivos continuam sendo as coisas mais estranhas da história.