Preconceito versus realidade.
Na adolescência tive vários amigos de todas as tribos, como se chamava na época, e no trabalho tive acesso a conhecer ainda mais gente. Um dia entrou um rapaz no meu setor todo esquisitão, cabelo bagunçado, umas correntes e a vestimenta diferente.
Todo mundo olhou estranho, pois gerava desconforto no pessoal. Levei ele para conhecer a empresa e, quando colocou o uniforme, deu uma melhorada, mas ainda mantinha aquele jeito marrento.
Com o tempo, convivendo ali, pegamos amizade e comecei a convidá-lo para sair com minha turma, já que ele era mais fechado. Depois de um tempo, ele me chamou para conhecer a turma dele e ir a um evento metaleiro. Aceitei e fomos.
Chegando lá, era só corrente, bota, couro e um povo que parecia ter saído do inferno de tão esquisito. Entre álcool e bebidas, o show com música, se é que aquilo era música, começou. O pessoal fez uma linha, se dividiu em dois e ficava trombando.
Eu estava estarrecido sem entender qual era o propósito daquilo, mas meu amigo estava feliz e ninguém brigava. Fiquei apenas observando. Depois disso conheci todo o grupo dele e, pasmem, cheguei à conclusão de que eu era o lobo mau no meio das ovelhinhas.
O coração deles era totalmente diferente da imagem que passavam: gente calma, gentil e com pouca maldade. Ou seja, a aparência não correspondia em nada ao que realmente eram.
A lição que tirei é simples: se você tem preconceito, converse e conheça a pessoa. Na maioria das vezes, isso impede que você viva experiências e crie lembranças boas.