Descobrir o autismo já na vida adulta tem sido como encontrar, depois de décadas, a legenda de um filme que eu assistia sem entender completamente.
Muitas coisas que pareciam defeitos de caráter, exagero, frescura, falta de esforço ou “jeito difícil de ser” começaram a fazer sentido. A exaustão após interações sociais, a necessidade de previsibilidade, a ansiedade intensa diante de determinadas situações, os interesses profundos por assuntos específicos, as dificuldades que eu tinha para compreender certas dinâmicas sociais e até mesmo algumas reações que eu não conseguia explicar.
O diagnóstico não muda quem eu sou. Não apaga minhas responsabilidades nem reescreve o passado. Mas oferece algo valioso: contexto.
Talvez eu não tenha mudado tanto. Talvez eu esteja apenas começando a entender, pela primeira vez, por que sempre fui assim.