Apenas uma pessoa normal.

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Essa farmácia local transformou o topo do balcão num bazar
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Em muitos países do mundo, é um tópico usual a hipótese que certos tipos e intensidades de adensamento (apartamentos pequenos, poucos quartos etc.) são altamente correlacionados com taxas de fertilidade declinantes. No Brasil esse tópico não chegou.
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Como generalizar os problemas urbanos de um país? Cada cidade pode ter problemas diferentes e similares, em diferentes proporções. Muita coisa dá para generalizar, outras não. Sem falar em estados diferentes, cidades grandes e pequenas, capitais x interior x litoral.
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Outro aspecto extremamente importante nas cidades brasileiras é a path-dependence. Todo que fazemos de ruim (ou de bom) gera consequências enormes down-the-road.
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Devíamos pensar mais no aspecto entrópico que é desenhar cidades. Tudo conspira para que aumente a desordem do sistema e a reversão à ordem é muito mais difícil.
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Uma colocação: a realidade física das cidades é uma tradução física dos enormes desafios e problemas estruturais do Brasil.
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"“Campinas tem pouca oferta de hotéis e escritórios, inclusive de saletas,” disse Rafael." É so minha opinião, mas "saletas" é um produto imobiliário questionável. É fácil de vender porque tem um custo unitário reduzido, mas tende a cada vez mais ter uma ocupação precária. Que tipo de atividade econômica tem escala suficiente para se sustentar ocupando um espaço físico de 30 metros quadrados? Cada vez mais escritórios e consultórios precisam se especializar, agregar valor, criar equipes qualificadas. A vida de um advogado/dentista/detetive particular trabalhando sozinho na sua salinha parece cada vez mais improvável.
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A frase: "No entanto, o último Plano Diretor de Campinas, aprovado em 2018, diminuiu as restrições e liberou a companhia a tocar o que está chamando de masterplan." Quem sou eu para dizer se o plano diretor de Campinas de 2018 é bom ou ruim, mas eu me pergunto se é "normal" as regras mudarem tanto de uma década para a outra.
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Entendo que em muitos países desenvolvidos (EUA, UK etc.) o problema é o oposto, e é quase impossível construir mais, mas talvez o Brasil exagera no outro lado?
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Essa análise do Estatuto das Cidades de Victor Carvalho Pinto também aborda algo essencial, que condena nossas cidades ao improviso e à mediocridade: "A principal limitação do Estatuto da Cidade foi não ter estruturado um sistema de planejamento territorial. Apenas o plano diretor foi regulamentado – e de forma muito genérica. Além disso, não se definiu um plano urbanístico de escala intermediária, próprio para o planejamento de bairros. Resulta dessa omissão que instrumentos fundamentais, existentes antes da aprovação do Estatuto da Cidade, tais como o zoneamento e a desapropriação, não ficaram claramente vinculados a nenhum plano urbanístico – e por isso acabaram sujeitos apenas à vontade política de prefeitos e vereadores."
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O artigo de Luis Henrique Villanova encara um problema fundamental do urbanismo no Brasil: "Enquanto nossos planos continuarem imaginando quadras perfeitas, idealizadas como se nascessem do zero – sem nenhum edifício existente, com lotes perfeitamente iguais e proprietários alinhados –, a cidade real vai seguir assim, costurada por partes, interrompida por terrenos travados e sempre carregando um potencial que existe, mas nunca alcançado.
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Como Vitor escreve: "o que nos falta há décadas é não apenas regras melhores, que levem em consideração a cidade já construída, mas regras que também reflitam e estimulem um projeto coletivo e compartilhado de cidade." De certa forma isso é uma manifestação clara da nossa profunda "fragilidade institucional em defesa do interesse de toda sociedade, também conhecido na literatura como interesse difuso" como escreve Silvia Matos.
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Vitor Meira França resgata algo essencial, em artigo recente no @caosplanejado: Essas casas e prédios, hoje, são resquícios do passado convivendo ao lado de edifícios altos e recuados, quando não de quadras quase completamente muradas de enormes condomínios fechados. “Cada edifício nasceu sob um conjunto diferente de regras, incentivos e humores do mercado. O resultado não é diversidade urbana – é uma ambiência quebrada, incoerente, que parece ter sido planejada por um comitê que nunca chegou a se reunir”, como bem escreveu o meu colega colunista Luis Henrique Villanova em artigo no Caos Planejado."
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O nome dessa conta é uma homenagem ao Fairlight CMI. As melhoras músicas foram compostas nesses instrumentos.
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Hora de ir dormir, porque amanhã preciso enfrentar as ruas locais para levar meus filhos para a escola.
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Um parágrafo da Prof. Silvia Matos que eu gosto de relembrar: "No Brasil, há uma fragilidade institucional em defesa do interesse de toda sociedade, também conhecido na literatura como interesse difuso. O nosso Estado é muito suscetível aos diversos grupos de interesse, que capturam uma parcela significativa do orçamento público, através de políticas de incentivo que são muito custosas do ponto de vista fiscal, e na grande maioria das vezes, não geram o resultado esperado e contribuem para a má́ alocação de recursos e a baixa produtividade da economia.
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