Pouco mais de dez anos atrás, quando era repórter e cobria o São Paulo pelo UOL, um então dirigente tricolor me contou em meio aos escândalos que começávamos a revelar: "Eu aprendi a roubar aos 13 anos, fui criado assim".
Pra quem não é afeito às práticas tortas, custa entender que há, sim, gente que vive disso. Gente que vive a vida procurando meios de levar vantagem, que pensa diariamente e a todo tempo em como fazer dinheiro fácil. Pra essa turma, trabalho é secundário ou nem existe. O que realmente existe é a incessante busca pelo atalho. Para esses, clube de futebol é o playground perfeito.
Tendo vivido o futebol e o jornalismo de todas as formas que essas duas instituições se interseccionam, vi o suficiente para perder o encantamento e bater no fundo, mas também para ter raiva o suficiente para não aceitar as coisas como são. Hoje os que estão expostos são os mesmos de dez anos atrás, e novamente por meio do jornalismo. Sempre ele, descreditado, desrespeitado e mal pago, mas feito por alguns que sabem farejar coisa errada e são movidos pelo desejo de revelar a verdade.
Faltou a quem perdeu a noção da impunidade não menosprezar a força daqueles que não estão na administração. E faltou também lembrar que jornalistas para sempre serão jornalistas. Fica o lembrete: se você for bandido, nunca conte isso a um jornalista - na imprensa ou não, ele seguirá querendo fazer justiça.