Muita gente pensa, equivocadamente, que bairros suburbanos cheios de casas e jardins são mais sustentáveis do que centros urbanos densos e verticalizados. Mas cidades espalhadas aumentam as distâncias e tornam a população muito mais dependente do automóvel, elevando o consumo de combustível e as emissões de carbono.
Os mapas de calor de Chicago ilustram bem isso: o centro aparece como a área que mais emite CO2 porque concentra mais pessoas. Mas, quando analisamos as emissões por unidade habitacional, são justamente os subúrbios que apresentam os maiores níveis de emissão.
Aqui em São Paulo essa fantasia é real: se chama Jardim Europa.
Uma área no coração da cidade com densidade populacional de 4,5 mil habitantes por km2. A prefeitura proíbe a verticalização do bairro. Na prática, criou um condomínio para poucos na área mais central da cidade.
Pelo mundo, outras cidades entenderam que espaço vale ouro. Mesmo seus bairros mais nobres são densos: Eixample em Barcelona tem 36 mil hab/km2; East Village (Nova York) tem 32 mil. Até o Leblon concentra 24 mil hab/km2.
É justo que a cidade de São Paulo reserve um bairro tão central para tão poucos?