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@reinaldoazevedo, para exigir que a Itália entregue a Zambelli, cita artigos de lei do... Brasil, como se a lei brasileira vigorasse no território italiano. Logo ele, que anda falando tanto em "soberania".
(A lei brasileira também não permite a figura do "juiz-vítima", mas isso é outra história.)
Quando os EUA negaram o pedido de Moraes para extraditar o Allan dos Santos (por crime que eu mesmo não entendi até hoje qual foi), Reinaldo também chamou de "postura absurda e interferência na política interna".
De exemplo em exemplo, a gente infere a lógica: para o Reinaldo, soberano é o Moraes, e a soberania dele vale em todo o planeta Terra. Quem se opõe à vontade do soberano está, ipso facto, errado, porque a vontade de soberano é a lei.
Quem tem acesso a fontes de informação de qualidade, como a Gazeta do Povo, já pôde ler desde o ano passado, mas, para quem não pôde, eu fiz uma matéria em setembro na qual entrevistei advogados europeus especialistas em extradição e eles explicaram justamente por que a lógica do Reinaldo está errada:
"O STF tem a palavra final para decidir se os processos estão cumprindo o direito brasileiro. Mas, conforme explica Anna Oehmichen, advogada alemã que é doutora pela Universidade de Leiden e especialista em extradição, os países europeus, em seu próprio território, não são necessariamente obrigados a deferir ao direito brasileiro, se considerarem que o processo viola os seus próprios padrões de processo justo. Segundo Oehmichen, os Judiciários nacionais em geral se dão 'confiança mútua, mas só até certo limite', e os direitos humanos seriam justamente esse limite, se o Estado estrangeiro considerar que foram violados."
A matéria vale a leitura, até porque foi aprovada com louvor no teste da realidade: a decisão da Corte Suprema de Cassação da Itália repetiu quase ponto a ponto o que a matéria trouxe (até o precedente jurisprudencial do caso Piersack):
gazetadopovo.com.br/ideias/p…