Tem uma palavra que define todo o ótimo texto do Pablo: timing.
Os dois atletas passaram tempo suficiente na América do Sul para serem olhados como acima da média para o continente e, portanto, serem contratados antes de irem à praças periféricas como a MLS.
O maior desafio que o Flamengo tem enfrentado na gestão de Bap e José Boto é encontrar jogadores abaixo dos 28 anos dispostos a retornar ao futebol sul-americano. Não é um movimento comum convencer atletas em plena idade competitiva, atuando em alto nível na Europa, a trocar uma das principais vitrines do futebol mundial por uma liga considerada inferior em termos de visibilidade e competitividade internacional.
Os casos de Lucas Paquetá, Samuel Lino e Emerson Royal mostram justamente o tamanho dessa dificuldade. Todos tinham mercado no futebol europeu e, ainda assim, aceitaram o projeto apresentado pelo Flamengo. Mas há um detalhe importante: os três são brasileiros e possuem uma ligação cultural com o país.
Já o caso de Carrascal é diferente. O colombiano atuava no futebol russo, um mercado que costuma oferecer menos resistência para negociações envolvendo clubes sul-americanos, especialmente quando comparado às principais ligas da Europa. Assim como o Flamengo tinha o 'ok' do Barco também, caso a compra do Carrascal não tivesse definida.
Nesse período, o Flamengo também recebeu negativas de jogadores que estavam no radar da diretoria. Nomes como Thiago Almada, Taty Castellanos e Lucas Beltrán não demonstraram interesse em deixar o futebol europeu para atuar no Brasil.
A realidade é que contratar jogadores jovens, saudáveis e sem histórico recente de lesões exige mais do que capacidade financeira. O Flamengo hoje tem recursos para competir, mas ainda enfrenta uma barreira natural: convencer atletas em seu auge de carreira a abrir mão do principal centro do futebol mundial para abraçar um projeto na América do Sul.
E o clube enxerga que o tamanho do time no Brasil, exige contratações assim, de atletas prontos e desenvolvidos, com bagagens europeias. Por isso um movimento em atletas na América do Sul é mais difícil.