Assisti Dia D e não encontrei nenhum clássico de Spielberg, só um filme ruim de Shyamalan.
Quando se fala de Steven Spielberg, você pensa na bicicleta voando diante da lua. Ou do disco voador gigante respondendo à sequência musical, ou ainda nos tripods perseguindo um pai de família em meio ao caos.
Cenas que ficam na cabeça por décadas. E Dia D não tem nada disso.
Durante boa parte do filme eu fiquei esperando aquele momento em que tudo finalmente vai engrenar. Aquela cena que vai justificar toda a construção da história. Mas ela nunca chega.
O roteiro parece estar o tempo todo se preparando para algo maior. Mas não entrega nada disso. E quando finalmente parece que vai acontecer alguma coisa importante, ele acaba. Do nada.
Em vários momentos tive a sensação de estar assistindo a um filme fraco de Shyamalan. Duas horas construindo um mistério e dando pistas de que algo extraordinário está prestes a acontecer. A diferença é que os melhores filmes dele costumam recompensar essa espera. Muito mais.
Em vários momentos, parecia menos uma aventura de ficção científica e mais uma tentativa de acostumar o público com a ideia de um contato com inteligências não humanas. Tudo é apresentado de forma muito gradual, muito burocrática, muito institucional. Como se o objetivo fosse apenas tornar aquela ideia familiar. Bem óbvia essa intenção.
Dia D não é woke, não tem aquela militância escancarada que estamos acostumados a ver em tantas produções atuais. Mas existe um certo desconforto com a visão cristã de mundo, especialmente a católica.
Em vários momentos, o roteiro sugere que crenças religiosas do passado talvez fossem apenas tentativas de explicar fenômenos que a humanidade ainda não compreendia. Não é algo agressivo. Não existe deboche. Não existe ataque direto. Mas a ideia está ali.
Não achei o filme ruim. Mas achei pequeno para Spielberg. Quando finalmente parece que a história vai atingir seu auge, ela acaba do nada.
E saí do cinema com a sensação de ter visto um filme razoável, mas muito distante do que espero quando vejo o nome de Steven Spielberg nos créditos.