O ENCANTAMENTO DE PELÉ EM 1958.
Na Suécia, em 1958, o futebol conheceu um fenômeno. O mundo ainda não sabia, mas um garoto de apenas 17 anos estava prestes a mudar para sempre a história do esporte. Seu nome era Edson Arantes do Nascimento. Poucos meses depois, o planeta inteiro o chamaria simplesmente de Pelé.
A Seleção Brasileira carregava o peso do trauma de 1950 e buscava conquistar sua primeira Copa do Mundo. Liderada por craques como Didi, Nilton Santos, Bellini, Vavá e Garrincha, a equipe possuía talento de sobra. Mas faltava algo que ninguém conseguia explicar. Esse algo apareceu vestindo a camisa 10.
Pelé chegou à Copa lesionado e sequer disputou as duas primeiras partidas. Quando finalmente entrou em campo, diante da União Soviética, ao lado de Garrincha, o Brasil ganhou uma nova dimensão. O jovem atacante jogava sem medo, como se estivesse nas ruas de Bauru, transformando a maior competição do planeta em um enorme campo de brincadeira.
Nas quartas de final, contra o País de Gales, surgiu o primeiro grande momento. Pelé dominou a bola no peito, aplicou um drible desconcertante e marcou o único gol da partida. Era seu primeiro gol em Copas e o nascimento de uma lenda. Mais tarde, o próprio Rei diria que aquele havia sido o gol mais importante de sua carreira.
Contra a França, na semifinal, o menino encantou definitivamente o mundo. Marcou três vezes e se tornou o mais jovem jogador a fazer um hat-trick em uma Copa do Mundo. A imprensa europeia, maravilhada, começava a falar de um talento jamais visto.
Mas o auge ainda estava por vir.
No dia 29 de junho de 1958, diante de mais de 50 mil pessoas no Estádio Rasunda, em Estocolmo, a Suécia abriu o placar. O Brasil respondeu com autoridade e venceu por 5 a 2. Pelé marcou dois gols. Um deles se tornou uma obra de arte: levantou a bola sobre o marcador sueco e, antes que ela tocasse o chão, concluiu com um voleio magistral. Era um lance de gênio, um momento de pura beleza futebolística.
Ao apito final, o garoto desabou em lágrimas nos ombros de seus companheiros. O Brasil era campeão do mundo pela primeira vez, e Pelé se tornava o mais jovem jogador a disputar, marcar e vencer uma final de Copa do Mundo, recordes que permanecem até hoje.
Aquele Mundial não consagrou apenas uma seleção. Consagrou um rei.
O encantamento de 1958 não estava apenas nos gols ou nos dribles. Estava na alegria com que Pelé jogava, na inocência de um adolescente que não conhecia a pressão e na sensação de que o impossível havia se tornado simples. Como se o futebol tivesse encontrado sua forma mais perfeita.
Naquele verão sueco, nasceu uma lenda. E, pela primeira vez, o mundo se curvou diante do Rei do Futebol.
NOITE DE COPA | Dep. de Redações.
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