Hoje, o
@DanielPineu acordou e escolheu violência.
Para apaziguar o chilique que lhe batia descompassado no peito, decidiu bater à minha porta do X mas em vez de usar a campainha deitou a mesma abaixo ao pontapé. O alvo de tão magna indignação foi um singelo tweet meu publicado ontem com uma capa da revista National Geographic de 2016 com o título ‘The New Europeans’.
A fúria apresentou-se em forma de comentário com seis (6!) pontos acusatórios à minha pessoa, desde a crime de ter publicado uma suposta capa falsa até várias ilações sobre o meu ‘discurso político’ quando não escrevi absolutamente nada.
Eu não fazia ideia de quem era este cavalheiro. Não estou a abusar do meu nariz no ar (que o tenho, orgulhosamente) mas o facto de nos últimos anos ter passado mais tempo fora do país do que cá e raramente assistir aos canais nacionais tem como efeito, felizmente, de passar ao largo destas personagens. Até que recordei que era o comentador que há uns tempos afirmava num desses canais em falência que Israel era um apartheid.
Apresentações feitas, vamos aos factos e lições de análise.
1. Não, não é uma capa falsa. É a edição australiana da revista publicada em Outubro de 2016. Uma simples busca no Google seria suficiente para verificar isso. As revistas internacionais têm normalmente edições com conteúdos próprios nos vários países, é o caso desta. O Pineu deu pelo erro depois de publicar o comentário mas em vez de apagar decidiu persistir na força isolada do resto dos pontos, erro crasso.
2. Diz que ‘de não ser de todo o tipo de análise ou comentário feito pela revista, configurando desinformação’. Visto eu não ter escrito nada, apenas publicado a imagem da capa, este ponto é só absurdo e não destoa do resto.
3. Sim, é de 2016, a data está na IMAGEM da capa que EU PUBLIQUEI. Esse era um dos pontos precisamente mas parece que foi atropelado pela ironia e ainda não deu por isso.
4. Diz que a capa da revista é um meme. É voltar ao ponto 1, reler, voltar aqui e retornar ao ponto 1 até o loop produzir efeito.
Pineu diz que ‘entre 2010 e 2016, migraram para a Europa 3,7 milhões de muçulmanos, e cerca de 1,3 milhões tiveram estatuto de refugiados significando um influxo em quatro anos [de onde surgiram os quatro anos? Talvez do Grok, ninguém sabe] de cerca de 0,7% do total de 743,4 milhões de europeus. Em 2016 a população de muçulmanos na UE - imigrantes e muçulmanos europeus - não chegava ao 5% do total.’
Onde sustenta o Pineu estas afirmações? Num estudo da Pew Research Center que analisou a população muçulmana na Europa e que estimou que cresceu de 19,5 milhões em 2010 (3,8% do total) para 25,8 milhões em meados de 2016 (4,9%), com a migração sendo o principal fator de crescimento.
Muito bem, e onde é que não bate a bota com a perdigota? É que o Pineu apenas baseou o seu ataque nos dados da imigração legal e aprovada, ‘esqueceu’ de consultar outros estudos para além dos que lhe reforçam e acarinham as convicções ideológicas e deixou de fora, claro, os dados da imigração ILEGAL. Pois que só entre 2010 e 2016, a Frontex (Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira) registou nos seus relatórios anuais cerca de 3 milhões (!) de detenções de travessias irregulares nas fronteiras externas da União Europeia. Dados complementares da OIM (Organização Internacional para as Migrações) confirmam estes números. E só estamos a falar de seis anos, até 2016, a partir daí é o descalabro.
5. Pineu afirma que os dados mostram ‘um impacto líquido positivo da migração da crise dos refugiados, seja nível de output económico, sustentabilidade, segurança social, e reversão do envelhecimento da população, todos eles desafios estruturais para a UE’. Por mim a piada está feita mas se quiserem posso avançar para o segundo round de ensino online com dados e factos sobre criminalidade a subir em flecha, violações e implementação da lei da sharia na Europa. Deixo ao vosso critério, também não quero matar ninguém.
6. & 7. Diz que é um post ‘incrivelmente xenófobo’ e ‘racista’, tenta imaginar o que eu diria se fossem refugiados judeus, evoca pelo meio as famosas ‘pessoas decentes’ as quais duvido que o cavalheiro conheça alguma, faz uma comparação grotesca com os ‘migrantes ucranianos absorvidos pela EU’ durante a guerra e acaba a dar-me os 'parabéns por elevar o discurso (?) político' quando nada escrevi. Imagino se tivesse escrito.
Deve ser tudo amor.