A tristeza quase me arrebata quando li esse post acima. Ele fez tábua rasa do talento de alguns na construção de textos.
E quase mais triste fico porque começo a perceber que os muitos minutos, as vezes mais de hora, dedicados à construção de um único parágrafo, parecem não valer mais nada. A busca da simetria perfeita, da poesia em forma de prosa, crônica ou reles texto agora sempre terá a ponta da desconfiança, tal qual ensina o Sr. Gabriel Santos.
O Sr. Gabriel Santos decreta o obituário de todos os que têm um “certo” talento, gosto e facilidade por escrever. Todos em uma única lata de lixo; “dustbin” como se diz no país que outrora o Sol nunca se punha.
Sou cultor de textos bem escritos e sempre estive e estou em busca deles. A exemplo de Gonzaguinha sempre estou à procura da “palavra mais certa”. Da escrita clara, leve e solta. Simétrica. Julgo-me um bom escritor, um escritor muito bom.
E aqui lembro um rapaz latino-americano tal qual Belchior, um amigo do Twitter, cultor da boa escrita, Pedro de Almendra (
@pedroafcr ) um piauiense que nunca vi pessoalmente. Mais do que cultor da palavra, cultor dos parágrafos. Em outubro de 2020 ele postou um texto curto, que recebeu meu elogio. E agora Pedro? O que faremos com a desconfiança que paira sobre todos nos textos futuros?
Resta-me a sorte de ter nascido lá na da distante década de 1960, de ter começado a escrever em jornais por volta dos primeiros anos da década de 1980, de ter publicado o primeiro livro (“Anotações das Doze Léguas) em 1987 (uma pesquisa histórica) e o primeiro livro jurídico (“A União Federal em Juízo) em 1998, pela “Saraiva”, Editora que à época era cobiçada por muitos e alcançada por poucos, pouquíssimos. Livro que deu frutos, três edições ao todo.
Resta-me a sorte de ter escrito e publicado o primeiro livro do século XXI, no Brasil, dedicado a analisar o Tribunal constitucional mais longevo, mais respeitado, mais citado e mais admirado do mundo, livro cujo título é auto explicativo; “Suprema Corte dos Estados Unidos - Principais Decisões”, cuja 1ª edição é de 2008, 2ª de 2015, 3ª de 2019 e quarta de 2021 (Editora GEN/Atlas), a maior Editora jurídica do país, tal qual a Saraiva no passado.
O que me salva sãos os anos de estrada de barro, de chão, de horas dedicadas à pesquisa e à busca da palavra mais certa, para lembrar Caetano Veloso, sobre quem já dediquei uma crônica que versa sobre sua mãe: “Eu e Dona Canô” (Correio Braziliense, 14.12.21).
Tomara que nem todos pensem como o Gabriel Santos. Tomara que alguns já tenham ouvido “Ele Me Deu Um Beijo Na Boca”, de Caetano Veloso, do álbum Cores, Nomes, de 1982, especialmente o verso: “Que a crítica não toque na poesia.”
Leitores, pesquisem a produção dos autores. A sentença Gabriel (diabólica, ainda que não intencional) não pode prevalecer.
João Carlos Souto.
x.com/pedroafcr/status/13212…
A produção criativa obedece à regra dos ritos religioso: só do sacrifício vem a ordem
Só quando escolho um parágrafo, no qual tenha gasto muito esforço, e o excluo sem mais nem menos, é que tudo ganha ordem e fluidez. Todo belo poema custou a morte de um belo verso.