O comunicado do FC Porto é a perfeita demonstração de como a hipocrisia e a falta de noção continuam a marcar a postura deste clube. Numa altura em que se esperava uma despedida digna e serena a Pinto da Costa, optaram pelo caminho da vitimização e do ataque gratuito a quem não se curvou perante o mito.
Lamento, mas não aceito lições de moral de um clube cuja história está marcada por décadas de corrupção, tráfico de influências e uma cultura de guerra permanente. Pinto da Costa não foi um símbolo de desporto ou de fair play – foi o arquiteto de um sistema podre que viciou campeonatos, alimentou ódios e distorceu a verdade desportiva a seu bel-prazer. Durante anos, assistimos a árbitros condicionados, a viagens e favores em troca de influência, a fruta e a esquemas que envergonham qualquer adepto honesto.
Agora, com uma falsa superioridade moral, o FC Porto tem o descaramento de criticar quem não prestou a homenagem que eles acham devida. Pois bem, cada um faz a sua escolha. O respeito não se impõe, conquista-se. E, neste caso, há muita gente que simplesmente não se sente obrigada a enaltecer um legado de corrupção. Isso não é falta de “urbanidade” nem de “bom senso” – é simplesmente ter memória e princípios.
O futebol português perdeu muitas décadas por culpa de um sistema que Pinto da Costa ajudou a construir. Perderam os adeptos, perderam os clubes que tentaram jogar limpo, perdeu a verdade desportiva. Agora, que o passado não pode ser apagado, tentam rescrever a história como se tudo tivesse sido um conto de fadas de sucesso e glória imaculada.
Ao citarem “Sei que não vou por aí”, deveriam pensar bem no significado da frase. Se há um caminho que não quero seguir, é precisamente o que Pinto da Costa trilhou. O caminho da mentira, da manipulação e da vitória a qualquer custo. Se o FC Porto quer realmente olhar para o futuro, que comece por abandonar a postura arrogante e revanchista e aceite que a história que escreveram tem páginas demasiado sujas para serem branqueadas com comunicados pomposos.
O futebol merece mais. Os adeptos merecem mais. O desporto português merece mais. E esse “mais” só será possível quando deixarmos de romantizar aqueles que, na realidade, apenas contribuíram para manchar o jogo que amamos.