A fusão do antigo Estado do Rio com o antigo Distrito Federal, imposta pela ditadura militar, foi o dia mais funesto da história para cariocas e fluminenses. Muito pior do que a mudança da capital para Brasília. A transformação do antigo Distrito Federal em estado da Guanabara estava prevista em todas as constituições que prescreviam a mudança da capital para Goiás (1891, 1934, 1946). A existência do estado está prevista inclusive na Constituição da própria ditadura, reconhecendo a especificidade da cidade do Rio no quadro da federação e que ela continuaria a existir como uma espécie de capital paralela, um segundo Distrito Federal informal. E era assim que efetivamente funcionava. Mas a Guanabara era um foco de resistência à ditadura militar, que queria domesticar a política local, reduzindo o antigo Distrito Federal a um município comum, consolidar Brasília e fazer uma espécie de superestado “estatal” para se contrapor a São Paulo. Geisel decidiu sozinho acabar então com o único estado previsto expressamente em todas as constituições do Brasil. Cariocas e fluminenses perderam os seus estados. Niterói foi abandonada. A região perdeu três senadores.
O novo Estado do Rio deu politicamente 100% errado: é um Minotauro, com cabeça de Brasília e corpo de Espírito Santo. Um estado monstruoso, que tem mais servidores federais que estaduais e mais servidores federais que Brasília; cuja capital, reduzida de sacanagem a um município comum, tem como seu maior proprietário o governo federal. Um estado cujo palácio do governo é emprestado pela Presidência da República; cujo Palácio da Assembleia é emprestado pela Câmara dos Deputados. Um estado reconhecidamente ingovernável, independentemente do partido ou da ideologia dos governadores, cuja carreira acaba sempre enterrada ao final do mandato. Que sofre intervenções federais periódicas, formais e informais, desde que foi inventado. Seus deputados não defendem os interesses da região. A cidade do Rio continua uma cidade federal, com cabeça de capital do Brasil, desprezando os governadores e só dando bola para o prefeito e para o presidente. Os políticos da capital não se entendem com os do interior; os políticos do interior não se entendem com os da capital. Estado que, por ser ingovernável, decaiu desde que foi criado e se tornou quintal do crime organizado e desorganizado. O que tem de gente que não sabe nem o nome do governador atual vocês não fazem ideia.
É por isso que eu defendo restabelecer o antigo Estado do Rio e refederalizar a cidade. Me parece um negócio tão óbvio que não sei como ainda há quem não entenda o argumento.
Bom dia a todos! Em 15/3/1975, ocorreu a fusão dos estados brasileiros do Rio de Janeiro e da Guanabara. A decisão havia sido de Ernesto Geisel. Na cerimônia, realizada em 15 de março de 1975, o mandatário do Rio de Janeiro, Raimundo Padilha (Arena), e o da Guanabara, Chagas Freitas (MDB), transmitiram o poder a Faria Lima (Arena). Com a posse, os estados do Rio de Janeiro e da Guanabara foram unificados e Faria Lima se tornou o governador do novo estado do Rio de Janeiro.