Temos Espanha x Cabo Verde agora, pela Copa do Mundo, e você achou que não tinha curiosidade jurídica.
Mas tem sim.
E não é uma simples curiosidade, é uma razão jurídica e legal que fez com que Cabo Verde conseguisse a sua vaga para o mundial.
O país fez uma engenharia jurídica coletiva, com ajuda do parlamento.
A seleção cabo-verdiana tem historicamente integrado atletas oriundos da diáspora, nascidos em países da Europa, Estados Unidos e outros, que possuem ascendência cabo-verdiana. Mas nem todo mundo tinha direito à nacionalidade do país.
Cabo Verde precisava viabilizar isso, legalmente, para que mais atletas pudessem participar da seleção.
Aí o próprio Estado agiu e editou a Lei nº 33/, publicada em 22 de agosto de 2023, que reformulou amplamente o regime jurídico da nacionalidade cabo-verdiana.
 Antes da nova lei, a transmissão da cidadania a gerações nascidas no exterior era limitada. Agora, filhos, netos, bisnetos e trinetos de cabo-verdianos nascidos no estrangeiro podem obter a nacionalidade por simples declaração, desde que preencham alguns requisitos.
O resultado prático foi impressionante.
A diáspora cabo-verdiana vivendo no estrangeiro chega a cerca de 1,5 milhão de pessoas, e com a lei, houve um trabalho intenso de buscar jogadores com ascendência no país, mas que residem em países como Países Baixos, Portugal e Estados Unidos.
Isso levou o país a encontrar vários jogadores novos que passaram a fazer parte da seleção do país e ajudaram na classificação para a Copa.