O bolsonarismo deu passe livre para o pior lado das pessoas, principalmente no que diz respeito aos homens.
Parece ter aberto a porteira para um tipo de sujeito que ostenta um orgulho inexplicável de ser ignorante e preconceituoso.
Antigamente, o indivíduo machista, intolerante ou simplesmente limitado intelectualmente preferia o silêncio, pois sabia que aquilo pegava mal; havia um senso mínimo de vergonha. Hoje, o pós-bolsonarismo transformou a falta de noção em troféu.
Normalmente, trata-se de um homem que não apenas ignora a complexidade do mundo, mas que também odeia quem estuda ou tenta explicar as coisas. Ele não suporta o pobre, o nordestino, o negro, o artista, a comunidade LGBTQIA e, principalmente, as mulheres corajosas e inteligentes.
Quase sempre, é o retrato do homem raso: o autodeclarado "patriota conservador". Para ele, a grosseria virou "falar a verdade", o machismo virou "defender a família" e a ofensa virou "liberdade".
O homem conservador bolsonarista é completamente previsível.
Na internet ou nos grupos de WhatsApp, posa de machão e corajoso, mas não aguenta dois minutos de conversa séria baseada em fatos. Adora crescer para cima de quem considera mais fraco (especialmente as mulheres), mas, se alguém lhe cobra o mínimo de respeito, logo se faz de vítima e apela para o discurso do "mimimi".
No fim das contas, esse personagem moldado pelo bolsonarismo é alguém que perdeu o pudor: um homem que não tem vergonha de passar vergonha em público.