Eu tenho um nojo profundo dessa cultura corporativa atual que exige, como regra, que o seu negócio tenha um “propósito superior engajado para mudar o mundo”. Acho isso tremendamente bizarro.
Se você é dono de uma retífica de motores no interior, de uma distribuidora de peças mecânicas ou de uma fábrica de embalagens, o seu propósito não é salvar as tartarugas do oceano ou repensar a conexão do universo. O seu propósito real é entregar a mercadoria no prazo, manter uma qualidade técnica elevada, não quebrar no meio da crise, pagar o salário sagrado de 30 famílias todo dia 5 para que esses pais coloquem comida na mesa, e gerar riqueza sólida para o futuro dos seus próprios filhos. Isso é propósito.
Esse romantismo corporativo de internet é uma narrativa criada por quem nunca precisou suar sangue para cobrir um rombo no fluxo de caixa de uma empresa real. Garantir a subsistência honesta de dezenas de pessoas através de um serviço bem feito, num país que joga contra quem produz, é o propósito mais nobre, árduo e verdadeiro que pode existir na vida de um homem.