EDITORIAL
Soberania é Independência Tecnológica
O mundo atravessa uma transformação acelerada e profunda. A inteligência artificial, o aprendizado de máquina e a automação estão remodelando a economia e redefinindo o poder entre as nações. Países competem por domínio tecnológico porque já entenderam que no século XXI, quem controla os algoritmos controla o futuro.
E o Brasil? Aqui, o que prospera são os bancos, o show business/subsídios a artistas e o marketing político. O país segue investindo bilhões em incentivos culturais, enquanto ciência, tecnologia e inovação permanecem nas margens das prioridades nacionais. Fala-se muito em transformação digital, mas o investimento real é mínimo e descontinuado.
As universidades públicas, que deveriam ser o motor da pesquisa aplicada, ainda tratam a iniciativa privada com desconfiança. As particulares tornaram-se grandes impressoras de diplomas, com pouco espaço para pesquisa e desenvolvimento. Nesse cenário, o elo entre Estado, academia e mercado praticamente não existe.
A base de tudo, o ensino fundamental, continua sendo o ponto cego do país. É ali que nasce a soberania tecnológica, com estrutura, materiais adequados e professores qualificados e valorizados. Mas o que se vê é um sistema público destruído e uma rede privada que perdeu qualidade e propósito. Enquanto crianças em diversos paises estudam em computadores e aprende sobre tecnologia nos primeiros anos, no Brasil saem do ensino fundamental sem o mínimo de conhecimento de matemática. Sem uma educação científica sólida, não há futuro inovador possível.
Enquanto o mundo investe em satélites, biotecnologia e chips, o Brasil ainda discute reformas estruturais e se Neymar irá para a copa ou o caso Virgínia/Zé Felipe. Mesmo vizinhos sul-americanos começam a despontar com políticas consistentes de inovação, enquanto seguimos de carroça, orgulhosos da nossa “criatividade”, mas incapazes de produzir o que consumimos.
Soberania não é apenas território nem bandeira. É capacidade de decidir o próprio destino. Sem independência tecnológica, toda a retórica de liberdade nacional se torna inócua, uma dependência disfarçada, que nos mantém presos ao papel de consumidores do conhecimento alheio.