Uma das coisas mais perturbadoras sobre os estupros no caso da Flotilha é que os sobreviventes estão tendo que tomar, por 28 dias, medicamentos para prevenir uma possível infecção pelo HIV em razão da violência praticada pelos soldados.
As mulheres, além disso, tiveram que tomar pílulas do dia seguinte e torcer para que fossem efetivas.
Isso mostra que a violência de Israel não termina quando os sequestrados são libertados. Ela continua no corpo, no medo, na espera por exames, nos efeitos colaterais dos medicamentos, na angústia de quem ainda precisa lidar com as consequências de uma agressão cometida sob custódia de um Estado.
A libertação não apaga a tortura. Não apaga a violência sexual. Não apaga o trauma produzido por um sequestro ilegal e por práticas que deveriam ser tratadas como crimes internacionais.
As violências de Israel continuam acontecendo e produzindo efeitos físicos, psicológicos, políticos e humanos muito depois do fim do sequestro.