É isto ….
A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, presidida por Maria João Correia, emitiu um comunicado oficial após as buscas da Polícia Judiciária realizadas ontem no âmbito da Operação Imergente.
Na nota, a autarquia esclarece que 'a investigação em apreço versa sobre acontecimentos que reportam a mandatos anteriores, pelo que não está em causa a conduta ou práticas do atual executivo'.
Mas não é bem assim.
Maria João Correia, militante do Partido Socialista desde 1996, possui um percurso de longa dedicação à política autárquica lisboeta. Iniciou a atividade política aos 18 anos nas antigas freguesias de São Jorge de Arroios e do Socorro, tendo sido a última presidente da Junta do Socorro (2009-2013). Foi assessora do Grupo Municipal do PS (2005-2009), deputada municipal por inerência e integrou os órgãos partidários, nomeadamente o secretariado da secção de Almirante Reis-Limoeiro e as comissões políticas da Concelhia de Lisboa e da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL). Em 2025, assumiu a presidência da Junta de Santa Maria Maior para o mandato 2025-2029, acumulando pelouros como Intervenção Social, Turismo, Cultura, Segurança, Higiene Urbana e Ambiente Urbano.
Entre 2013 e 2025, Maria João Correia integrou o executivo da mesma junta, liderado por Miguel Coelho, como vogal durante 12 anos. Geriu diretamente pastas operacionais de grande relevância e exposição contratual: Ambiente Urbano, Espaço Público, Limpeza e Higiene Urbana – precisamente as áreas onde são mais frequentes os ajustes diretos e procedimentos de contratação pública agora investigados.
Quanto ao seu envolvimento nas decisões que originaram as buscas de ontem, Maria João Correia foi membro do executivo anterior durante todo o período em análise (2016-2022). Enquanto vogal com pelouros diretamente ligados aos serviços de limpeza, higiene e manutenção do espaço público – sectores onde ocorreram as adjudicações suspeitas –, participou nas deliberações colegiais do executivo e na execução das respetivas políticas.
O comunicado emitido pelo executivo que agora preside reforça explicitamente a separação entre o atual mandato e os factos investigados mas uma análise atenta demonstra o contrário, a relação estreita entre o actual executivo e a corrupção desenfreada nos contratos e adjudicações realizadas nos mandatos anteriores.