Carla Bittencourt critica prisão de Adriana em
#QuemAmaCuida
“A teledramaturgia nunca teve compromisso absoluto com a realidade. Como costuma dizer Gloria Perez, o público precisa aprender a voar. E voa mesmo. Aceita coincidências improváveis, personagens que sobrevivem ao impossível e reviravoltas que dificilmente aconteceriam fora da ficção.
A investigação que levou Adriana à prisão passou essa sensação de que a lógica interna da história foi ignorada. Bastou Pilar informar ao delegado que a cunhada havia viajado para Botucatu para que a denúncia fosse tratada praticamente como prova de tentativa de fuga. Não houve grande esforço investigativo, não houve aprofundamento das circunstâncias e tampouco uma análise mais cuidadosa dos demais suspeitos.
Pilar talvez seja justamente a personagem que mais deveria despertar atenção da polícia naquele momento. Ela tentou interditar Arthur, foi responsável por dopá-lo, mantinha uma relação conflituosa com o irmão e não escondia seus interesses na fortuna da família. Tudo isso era conhecido pelos personagens da trama. Ainda assim, a possibilidade de Pilar estar envolvida no crime parece ter sido descartada antes mesmo de ser considerada. O problema é o caminho escolhido para levá-la até lá.
A direção artística de Amora Mautner segue impecável, o elenco está afiado e o mistério envolvendo a morte de Arthur mantém o público interessado. Justamente por isso, a trama merecia uma construção mais cuidadosa.
Quando uma novela é boa, o telespectador aceita embarcar em qualquer voo. O que ele não gosta é de sentir que foi empurrado para dentro do avião sem explicação.”