MOSSAD: a ex-procuradora geral do TPI, FATOU BENSOUDA, diz que foi ameaçada pelo serviço secreto israelense.
Traduzido do
@MiddleEastEye :
“A ex-procuradora-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, afirmou que o então chefe do serviço de inteligência israelense Mossad, Yossi Cohen, pressionou-a em uma série de encontros para que abandonasse a investigação sobre supostos crimes de guerra nos territórios palestinos ocupados.
Bensouda, que atuou como procuradora-chefe do TPI entre 2012 e 2021, disse que homens não identificados apareceram em sua residência, na Haia, depois que ela abriu, em 2015, uma apuração preliminar sobre a situação na Palestina.
“Eles vieram diretamente à minha casa”, disse Bensouda à Al Jazeera, em entrevista publicada no domingo. “Eu entendi a mensagem que estavam enviando.”
Ela afirmou que os homens lhe entregaram um envelope contendo 500 dólares e insinuaram que o dinheiro vinha de alguém a quem ela havia ajudado. Bensouda disse que posteriormente concluiu que o gesto tinha a intenção de demonstrar que os responsáveis sabiam onde ela morava.
Segundo ela, o episódio foi comunicado à segurança do TPI e às autoridades holandesas. De acordo com seu relato, investigadores rastrearam números de telefone associados aos visitantes até Israel, embora nenhuma medida adicional aparentemente tenha sido adotada.
“Eu me senti abandonada. Eu me senti sem apoio”, declarou.
A ex-procuradora também descreveu encontros com Yossi Cohen, incluindo uma reunião em um hotel de Nova York durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, que, segundo ela, girou em torno da investigação do TPI sobre a Palestina.
“O que estava claro era que eles não queriam que as investigações sobre a situação na Palestina continuassem”, afirmou. “Esse era o ponto central.”
Questionada se Cohen lhe teria dito que Israel poderia “cuidar” dela e advertido que prosseguir com o caso poderia comprometer a segurança de sua família — como anteriormente reportado pelo jornal The Guardian — Bensouda respondeu: “Disse. Disse, sim.”
Ela descreveu os encontros como inicialmente amistosos, em uma tentativa de “conquistá-la”, antes de evoluírem para exigências explícitas de que interrompesse a investigação.
Bensouda afirmou ter interpretado os episódios como ameaças dirigidas tanto a ela quanto à sua família, e associou essas pressões às sanções que mais tarde lhe foram impostas pelo governo dos Estados Unidos.”
A seguir a entrevista à
@AJEnglish :
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