Depois do dia de hoje e da libertação de reféns de hoje, que evoca a libertação dos campos de extermínio, algumas coisas ficaram ainda mais claras para mim e não perdoarei:
- aos que negam e diminuem o 7.10. Estive em Israel, na morgue onde foram entregues mortos, nos Kibbutzim destruídos, devastados, onde pessoas foram queimadas vivas. Estive em Re’im no local do Festival Nova onde centenas de jovens da idade das minhas filhas foram chacinados, outros feitos reféns. Abracei sobreviventes. Estive em Sderot destruída com as mulheres polícias heroínas. Em Portugal conheci as famílias dos reféns portugueses. Vi, ouvi, jamais calarei. Escrevi um livro sobre isso , sobre o dia que mudou Israel.
-aos que arrancaram cartazes dos reféns e aos que nunca abriram a boca para pedir a libertação, nem os bebés Bibas mereceram o seu olhar.
- aos que consideram o Hamas “resistência”.
- à esquerda internacional que desvaloriza o terrorismo e que impediu que a população de Gaza saísse do enclave durante a guerra ( como o fizeram a população de Mosul ou de Raqa). Não estão interessados nos palestinianos nem no seu sofrimento mas na ideia que deles construíram e na sinalização de virtude.
- aos que deliberadamente ignoram a história ou a deturpam, que esquecem a perseguição de séculos e séculos, o caso Dreyfus, os pogroms, antes e depois do Holocausto ( quando os judeus libertados dos campos voltavam às casas entretanto ocupadas ), que esquecem a indiferença.
- aos anti-semitas em geral nos media, na Academia, no comentário, na política. No século passado sei de que lado estariam. Em 1942 houve quem duvidasse da “solução final” e a Cruz Vermelha falou das “boas condições” dos campos.
- aos políticos cobardes.
A paz só será possível quando o ódio que alimenta, com o patrocínio internacional, gerações de palestianos for erradicado, quando o terrorismo deixar de ser legitimado. Os palestianos têm uma voz, conheço muitos, que difere da que ouvimos nos media e que os media ouvem. Muitos querem sair de Gaza fartos de serem joguetes do Hamas e de agendas que não são a sua, esses são os palestianos inconveniente a quem se passa um atestado de menoridade porque não cabem na narrativa.
Sei de que lado estou: de uma democracia viva, com liberdade de imprensa ( que escreve acerca do governo israelita o que os nossos jornais não teriam coragem), de uma sociedade civil activa, exigente, de um país que transformou um deserto num local com um PIB per capita mais elevado que o da Alemanha.
Estou do lado de um país que luta contra o terror islâmico depois de um atentado que se conta entre os maiores da história, e além de lutar contra o Irão e os seus proxies luta contra uma coligação internacional que assim que ouve a palavra Palestina liga o “coitadinhómetro” ( ausente para os curdos, para os congoleses ou sudaneses) e invoca genocídios imaginários para disfarçar o seu ódio a Israel em geral e aos judeus em particular.
O Nunca Mais é hoje e a maioria silenciosa que apoia Israel tem de quebrar o silêncio.
Quem não gostar não goste. Saia pelo seu próprio pé.
Am Israel Chai