Estar no top 10 da EY em FDI não diz nada sobre a qualidade desse investimento... e aí está o problema.
O que é que Portugal atrai maioritariamente? Turismo, hotelaria, imobiliário, serviços de baixo custo. Setores de pouco valor acrescentado, intensivos em mão de obra barata e dependentes de subsídios fiscais ou clima... Não é investimento em I&D, tecnologia de ponta, manufacture avançado ou serviços de alto valor.
Ao mesmo tempo que importamos mão de obra sem qualificações para preencher esses setores, exportamos os nossos jovens mais qualificados para a Alemanha, Holanda, Reino Unido, Suíça, states etc. Portugal é, de facto, um dos países europeus com maior fuga de cérebros per capita. Acho que mesmo o com maior %.
Portanto o argumento do FDI alto não refuta o problema... confirma-o. Estamos a especializar-nos em setores de baixa produtividade, e os dados do Our World in Data mostram exatamente isso: a produtividade por hora trabalhada ficou estagnada enquanto países como a Roménia e a Polónia nos ultrapassaram por apostarem em setores industriais e tecnológicos de maior valor.
Não é a quantidade de investimento que cria riqueza. É o tipo.
A escolaridade não é a causa da baixa produtividade!!! Portugal tem uma das maiores taxas de emigração de jovens qualificados da Europa. Ou seja, quem se forma, vai-se embora... precisamente porque o ambiente económico cá não recompensa o mérito nem o capital. A formação existe, mas não fica retida cá.
O problema não é falta de pessoas formadas. É que o ambiente institucional, fiscal e cultural em Portugal continua a penalizar quem produz e a proteger quem não produz. Isso não muda com mais diplomas... muda com menos Estado, mais concorrência e mais incentivos ao mérito.
É completamente mentira que Portugal não faça grandes esforços para atrair investimento estrangeiro. E é mentira que não esteja a ser bem sucedido.
No estudo anual da EY, Portugal tem estado consistentemente no top 10. Em números absolutos. Per capita, seria top 3 provavelmente.