Linux Tovard dizendo que, para ele, C é a melhor linguagem. Concordo bastante com essa visão. E coloco no mesmo balaio Object Pascal, Java e outras linguagens mais antigas e robustas, que nasceram para resolver problemas reais, com restrições reais.
O contraponto que faço é com essa galera que acha que tudo se resolve com Rust, Go ou a linguagem da moda da semana. Linguagens que já nascem cercadas de camadas, abstrações e promessas mágicas, mas pouco compromisso com entendimento profundo do que está acontecendo por baixo.
Estamos vivendo uma época estranha. As pessoas querem tudo mastigado. Aprendem linguagem no-code, low-code, quanto mais abstraído melhor. Quanto mais repositórios prontos no Git, mais pacotes no npm, melhor ainda. Pega um código cabuloso, faz rodar e pronto. Se tem brecha de segurança, ninguém sabe. Se tem vazamento de memória, ninguém entende. Se quebra, a culpa nunca é do código.
Desempenho virou detalhe. Estamos na era do “hardware infinito”. Se está lento, coloca mais CPU, mais memória, mais container. Otimizar é coisa do passado, segundo essa lógica.
O problema é simples. Quanto mais abstraída for a linguagem, menos você entende de computação. E quanto menos você entende, mais depende de framework, de comunidade, de guru no Twitter e de update semanal. Quando não roda bem, a desculpa é sempre a mesma: o hardware que não aguenta.
Linguagens como C, Pascal, Java clássica, te obrigam a pensar. Te forçam a entender memória, fluxo, custo, impacto. Elas não te protegem da ignorância. E isso, hoje, parece ser exatamente o que muita gente quer evitar.
Não é sobre nostalgia. É sobre fundamento. Sem base, qualquer hype vira castelo de cartas.
Não cou contra as novas langs, mas sempre saiba de onde elas se originam, e sempre abstração terá um custo de desempenho e se usado de forma errada se tornará débito técnico.
Linus Torvalds: Nothing Better Than C